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27 de dezembro de 2016

No mês passado, Frazer e Dana Gieselmann enterraram sua filha de seis anos de idade.

Milla, abreviação de Louise Mildred, teve sua primeira convulsão aos 2 anos de idade. Ela foi diagnosticada com a doença de Batten, um distúrbio raro e fatal do sistema nervoso. Algumas semanas mais tarde, sua irmã mais nova, Elle, recebeu o mesmo diagnóstico. (Uma irmã mais velha, Ann Carlyle, não tem a doença genética)

Nos últimos três anos, Frazer e Dana levaram as duas meninas para consultas médicas, seguraram-nas durante convulsões, e acompanharam enquanto elas perdiam a destreza. Elle pode iniciar um regime de medicação experimental em setembro; para Milla, já era tarde demais.

Ela fez seis anos no dia 2 de novembro. Vinte e quatro dias depois, sua mãe postou “Milla está com Jesus. Bendito seja o nome do Senhor”.

Enquanto viviam o pior pesadelo de todos os pais, a fé dos Gieselmanns na bondade de Deus foi testada e retesada. Acordando inúmeras noites com as meninas, tendo constantes relatórios médicos ruins, o casal apoiou-se fortemente na fé transmitida por seus pais.

E eles se apoiaram na igreja, na esperança de que ela estaria lá para segurá-los.

Fé na Escuridão

“As pessoas nos dizem: 'Eu não sei como vocês fazem isto'”, disse Frazer. “Mas não há escolha. Não há outras opções. Se eu não colocar cereal nas tigelas das meninas, elas não vão comer.”

O casal se firma num fundamento de fé geracional. Ambos cresceram na igreja: o Frazer em uma igreja cristã não denominacional, e a Dana em igrejas Batistas ou Batistas Reformadas que o pai pastoreou. Ambos frequentaram escolas cristãs.

“Este [histórico] foi essencial para nós”, disse Frazer. “Eu não havia percebido o quanto dos alicerces havia sido assentado durante este tempo.”

Mesmo que a teologia não tenha sido ensinada ou vivida perfeitamente, “Sou muito menos crítico de meu histórico e muito mais agradecido”, disse Frazer. “Deus estava nos preparando para o que nós não sabíamos que viria”.

Embora o histórico de igreja e escola tenha sido importante, foi Deus que “guardou a nossa fé as nossas vidas inteiras”, disse Dana. “Deus manteve sua mão sobre nós”.

A Milla mesmo amava orar. Assim como os seus avós, que se levantam às 4 da manhã todos os dias para orar. 

“É aquilo que fazemos”, disse Rob Richey, o avô. Um pastor aposentado e professor de Bíblia no Ensino Médio, ele lecionou muitas vezes sobre a soberania de Deus.

“Nessa questão sobre sua soberania e a responsabilidade do homem, Deus não nos disse como isso se encaixa, mas ele nos disse que os dois [o seu controle e a nossa responsabilidade] são verdadeiros ao mesmo tempo”, disse Richey. “O que acontece quando Deus não nos diz tudo, mas é a verdade? Temos fé.”

“O que acontece quando Deus não nos diz tudo, mas é a verdade? Temos fé.”

Milla sofreu e morreu muito jovem. Deus é bom e está no controle.

Ambos são verdade, ele disse, embora não possamos ver como eles se encaixam. Mas “eu acredito com todo meu coração que ela está na presença de seu Salvador agora”.

Por causa disso, no tempo mais sombrio de sua vida, depois não só de perder sua neta, mas também ver sua filha perder a filha dela, a fé de Richey permanece.

Passando Adiante

Frazer e Dana estão tentando transmitir a sua fé para suas meninas. Eles oram por suas filhas diariamente, e Ann Carlyle frequenta uma escola cristã.
“A comunidade e as famílias da escola têm se acercado carinhosamente a nós e a Ann Carlyle”, disse Frazer. “Tem sido uma grande bênção já que ela passa muito tempo lá”.

A igreja dos Gieselmanns também tem desempenhado um papel enorme.

“Durante tudo isso, nos comprometemos a continuar indo à igreja aos domingos”, disse Frazer. “Não queríamos fazer uma pausa de meses”.

Não foi fácil. As manhãs de domingo consistem em ficar de olho na Elle (“Não se pode deixá-la longe ou ela terá uma convulsão, cairá, e baterá a cabeça”), dar banho nas meninas, e sairem todos porta afora às 10h30.

“Não nos preocupamos sobre como nos sentíamos”, disse Frazer. “Fizemos da adoração no domingo uma prioridade, porque há algo maior do que nós. Tivemos que confiar que Deus nos colocou ali, que ele está fazendo algo”.

“Fizemos da adoração no domingo uma prioridade, porque há algo maior do que nós”.

Adorar junto com a igreja é uma “grande coisa”, especialmente porque com dias cheios e de trabalho intensivo, Dana e Frazer só conseguem dedicar tempos curtos para devoções pessoais. 

A Equipe G

Adoração coletiva tem sido uma bênção, disse Frazer. É uma forma, entre muitas, na qual podem sentir a presença de Deus.

A principal maneira pela qual eles sentem a presença de Deus: a “Equipe G”.

“Começou a aparecer naquele verão [depois que as meninas foram diagnosticadas]”, disse Frazer. “Começou com uma pessoa, uma amiga que se juntou com outra. Em outubro, eram três meninas. Em dezembro, eram oito pessoas”.

A Equipe G, que chegou a 10 amigos e membros da família de quatro igrejas diferentes, orquestram tudo, desde refeições (há três anos eles fornecem três refeições por semana para os Gieselmanns) até uma fundo financeiro para ajudar a família a custear as despesas médicas.

Eles fizeram uma festa enorme para o quinto aniversário da Milla com 300 pessoas no ano passado, celebrando um marco que não tinham certeza se ela lá chegaria. Arrecadaram milhas aéreas e solicitaram ajuda de pilotos privados que pudessem ajudar os Gieselmanns a voar com a Elle até Ohio a cada duas ou três semanas para tratamento. Arranjaram ajudantes para irem à casa dos Gieselmann todos os dias antes e depois da escola.

Deus supriu de outras maneiras também. Frazer faz empréstimos imobiliários comerciais, e seu empregador lhe permite ter tempo livre para ajudar com as meninas. E por vários anos, Milla e Elle foram para um “Dia de folga dos pais” organizado pela igreja dos Gieselmanns, a Segunda Presbiteriana em Memphis.

“Conseguimos acomodar no nosso orçamento para que elas tivessem cuidadores um-a-um”, explicou o diretor Shea Deme. A ajudante de Milla era Dona Melba, de 86 anos, que está na Segunda Igreja Presbiteriana há mais de 20 anos.

“Milla e Dona Melba passaram o dia inteiro juntas”, disse Deme. “Todo mundo estava disposto a ajudar com a Milla e a Elle para que a Dana pudesse ficar tranquila para ir fazer as compras sabendo que as suas meninas estavam bem”.

Viagem ao Reino Estrela

Uma das bênçãos dos Gieselmanns se espalhou para além da sua família imediata. Quase um ano atrás, uma amiga publicou o livro infantil intitulado Voyage to the Star Kingdom [Viagem ao Reino Estrela].

Na história, uma família tem que lutar contra uma tempestade de “ventos fortes e chuva torrencial”. Enquanto os moradores da vila tentam ajudar a família, as águas continuam a subir. O Rei Estrela envia ajuda e também um convite para o seu banquete. O problema: as duas meninas mais jovens são convidadas a irem primeiro e devem deixar a sua família para viajarem sozinhas.

Embora o livro tenha recebido cinco estrelas nas avaliações da Amazon e da Goodreads, Frazer achou difícil lê-lo inicialmente. A história é sobre sua família; até mesmo as ilustrações são baseadas neles.

Após a primeira leitura, “Eu não o li novamente por um ou dois meses”, disse Frazer. “Então voltei a lê-lo. Agora eu o conheço muito bem. Este livro tem se tornado muito importante para mim. Ela [a autora Anne Riley] conta alguns dos princípios de fé de uma forma tão descritiva e útil”.

Viagem ao Reino Estrela está ajudando outras pessoas também. Os comentários na Amazon estão cheios de pequenas histórias que confirmam o poder da mensagem do livro.

“Perdemos a nossa filha de dois anos subitamente no ano passado”, disse um deles. “Nāo tenho palavras para dizer o quanto este livro significou para nós”.

É difícil ver o plano de Deus, quando estamos nas sombras mais escuras do vale da morte, disse Frazer. A estrada tem sido “dura e frustrante”, mas não sem “vislumbres de beleza ao nosso redor de vez em quando. . . . A história é para Ele contar, e confiamos nele. “

Traduzido por Mariana Ciocca Alves Passos.

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