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Colaborador Convidado: Jason Helopoulos

Qualquer um que tenha trabalhado no ministério por qualquer período de tempo sabe que um companheiro consistente acompanha o ministério. Este companheiro levanta a cabeça dele por momentos, dias, meses e até anos. Ele pode ameaçar a nossa alegria, roubar o nosso deleite e obstruir o nosso zelo. Quem é este companheiro por demais familiar? O desânimo. Após a realização de uma pesquisa informal com algumas dezenas de pastores e outras pessoas ao longo dos últimos meses, a seguir estão as cinco principais razões apontadas para o desânimo no ministério, juntamente com alguns incentivos sobre como vencer estes combates.

A Natureza Escondida da Obra: o Ministério é um esforço ímpar. Nós ministramos a Palavra, oramos, aconselhamos, fazemos discípulos, evangelizamos, ensinamos e pregamos, mas raramente estes esforços produzem “resultados” imediatos e concretos que provam que o nosso trabalho foi benéfico e eficaz. Nós trabalhamos no reino espiritual. A evidência de nossos trabalhos é muitas vezes impossível de ver, o que pode ser desanimador.

Encorajamento: Devemos lembrar que não podemos confiar no que vemos ou não vemos como evidência de uma hora, dia ou até mesmo um mês bem gasto no ministério: “Porque a nossa luta não é contra a carne e sangue” (Ef. 6:12). Embora a natureza invisível do ministério possa ser desanimadora às vezes, isto também serve como um dos aspectos mais encorajadores de ministério evangélico. Nós nunca sabemos completamente o que o Senhor fez ou está fazendo. Uma conversa que consideramos sem sentido leva um indivíduo a conversão; um pobre sermão sacode um pecador de surpresa; semanas de orações agonizantes e aparentemente ineficazes levam a uma resposta meses mais tarde. Deus nos chama para o trabalho espiritual, e nós nem sempre vemos o que está acontecendo. Devemos lembrar que nosso chamado é simplesmente sermos fieis no que ele nos chamou e usarmos os meios que ele escolheu. Ele faz o resto.

Orgulho: O orgulho é um inimigo do ministério e um prenúncio de desânimo. Esquecemo-nos da chamada de nosso Senhor: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16:24). O problema que a maioria de nós encontra no ministério não é que nós somos muito teocêntricos, cristocêntricos, ou mesmo antropocêntricos, mas que somos muito egoístas. Nós deixamos de lembrar que o ministério não é a respeito de mim ou até mesmo a minha igreja local, mas a respeito Dele e da glória Dele (1 Co. 10:31). O orgulho pode nos levar ao desânimo no ministério porque esperávamos que Deus fizesse mais por meio de nós e até mesmo para nós.

Encorajamento: Uma vez ouvi outro pastor dizer algo que ressoou com a minha própria experiência neste domínio. Ele disse: “Quando eu vim para a fé salvadora, eu pensei: 'Senhor, faz grandes coisas por meio de mim por causa do Reino'. Depois da graduação no seminário, eu pensei: 'Senhor, faz grandes coisas por meio de mim na minha denominação'. Depois de alguns anos de ministério, eu pensei: 'Senhor, faz grandes coisas por meio de mim na igreja local'. Agora, depois de mais alguns anos de ministério, eu penso: 'Senhor, apenas me ajude a terminar a corrida!”. Com a cruz diante dos nossos olhos, tudo se torna claro. A humildade é uma das grandes armas que podemos empregar contra o desânimo.

Expectativas Inadequadas: O desânimo se instala porque esperávamos algo diferente ou algo mais de nossos labores ministeriais. A lentidão do crescimento em santificação nos surpreende. Certamente nossas igrejas, nossas crianças e, até mesmo, nossas vidas próprias deveriam ter progredido mais. Nós esperávamos mais frutos e frutos mais duradouros. Desmoralização se estabelece.

Encorajamento: Às vezes, a grande obra que interessa ao Senhor não é a obra que Ele está fazendo por meio de nós, mas o trabalho que Ele está fazendo em nós. Não esqueça! Expectativas não atendidas podem ser um sinal de Sua obra em nós. Isto nos coloca na postura de claudicação, humildade e dependência. Isto nem sempre parece ser a graça de Deus para nós, mas qualquer coisa que nos leva a nossos joelhos, olhando para Ele, é graça, na verdade!

Traição: Uma das experiências mais difíceis no ministério é traição por parte daqueles que você amou, a quem você ministrou, e em favor de quem você sacrificou. Ela pode deprimir a sua alma, distanciar o seu coração e destruir a sua determinação. Que isto nunca aconteça!

Encorajamento: Nosso Senhor Jesus conheceu traição maior do que qualquer uma que experimentaremos. Mateus afirma gravemente: “Então, os discípulos todos, deixando-o, fugiram” (Mt. 26:56). Mateus continua a detalhar as famosas negações de Pedro. Paulo escreve sobre Demas, seu amigo e companheiro, traindo-o pelo amor do mundo (2 Tm. 4:10). Traição virá no ministério. O mundo e o pecado exercem uma forte atração, e algumas das pessoas que mais amamos são as que mais nos decepcionarão. Devemos estar preparados para isto. No entanto, também queremos estar continuamente chocados com isto. Caso contrário, o cinismo pode se estabelecer e isto não tem lugar em nossos ministérios. Esteja chocado, mas não arrasado. Deixe que as feridas que nos foram dadas por aqueles de dentro da igreja nos levem a nos apaixonarmos mais pela igreja em vez de rompermos com ela.

Conflito: Talvez o maior desânimo no ministério deriva do conflito regular que parece fomentá-lo. Nós somos pecadores ministrando a pecadores; isto é sempre terreno pronto para o conflito. Alguns conflitos serão justificados e outros parecerão carnais e mesquinhos, mas todos eles têm o seu preço.

Encorajamento: Assim como a traição, o conflito virá. Como Pedro disse: “não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo” (1Pe. 4:12). Se você está envolvido em conflito, você está em boa companhia, e a graça e a paz do Senhor são suficientes. Lute contra a tentação de se tornar entediado. Abrace conflitos como uma oportunidade para manifestar o amor e a graça de seu Salvador e o evangelho que proclamamos. Encerre rapidamente os conflitos mesquinhos e indefira-lhes a autoridade para mantê-lo sem dormir à noite. Quando coisas falsas são ditas sobre você, lembre que o homem humilde não precisa tomar qualquer ofensa nas acusações ou ridicularização dos outros, porque ele sabe que é muito pior. E se coisas falsas foram ditas, você descansa, porque o Senhor é o seu juiz e Ele conhece a verdade (1Co. 4:4).

Outros Encorajamentos

Finalmente, eu gostaria de oferecer alguns outros incentivos para combater o desânimo no ministério. (1) Leia biografias dos santos que vieram antes de nós. Há um grande incentivo em aprender sobre suas vidas, ministérios e perseverança no Senhor. (2) Leia cartas e diários de épocas anteriores. Por exemplo, atualmente estou lendo as cartas de George Whitefield e John Newton. Suas lutas e orações sinceras têm levantado a minha alma e dirigido meus olhos para o céu de maneira profunda. (3) Encontre amigos como Filemom, que “reanimam” sua alma (Fm. 1:7) e cerque-se deles. (4) Receba os meios de graça. Não esteja tão ocupado sobre o ministério a ponto de deixar de ser ministrado. Sente-se sob a Palavra pregada, venha para a mesa do Senhor, reserve momentos para orar. (5) Continuamente, procure vislumbres de incentivo em seu ministério. Muitas vezes, lembro a mim e a outros que perdemos o que o Senhor está fazendo porque muitas vezes estamos à procura de algo grandioso e magnífico, quando Ele tem fornecido um fluxo constante de incentivo com pequenos vislumbres de Sua obra eficazmente por meio de nós e em nós. Perder estes vislumbres de encorajamento rouba prazer e alegria da alma.

Ministério é um trabalho árduo, mas é um trabalho glorioso. A responsabilidade e o privilégio de apreciar o ministério são concedidos a cada cristão. Não vamos permitir que o desânimo roube o deleite de nós.

Traduzido por Raul Flores

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