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Nota do Editor: 

Este é um trecho adaptado de “12 Faithful Men: Portraits of Courageous Endurance in Pastoral Ministry” (Baker Books, 2018) [12 Homens Fiéis: Retratos de Perseverança Corajosa no Ministério Pastoral]. Nesta compilação de 12 biografias estimulantes, pastores e líderes de ministério descobrirão o poder da perseverança impulsionada pela graça, face ao sofrimento.

Se você enviasse seu currículo para um comitê de busca pastoral, que informações incluiria? Sem dúvida, detalharia toda suas experiências positivas no ministério. Se você tivesse servido como pastor, colocaria isso em primeiro lugar, especialmente se as coisas tivessem corrido razoavelmente bem. Se você trabalhou como líder de jovens enquanto estava na faculdade, ou dirigiu um estudo bíblico ou participou de uma missão de curta duração no exterior, você incluiria essa informação. Incluiria os nomes e informação para contacto de várias pessoas que provavelmente fariam uma avaliação positiva de suas qualificações, caráter e histórico.

Seu objetivo seria se assegurar de que seus pontos fortes ficassem bem destacados, para que parecesse — pelo menos no papel — mais qualificado do que os outros candidatos.

Paulo nos oferece seu currículo em 2Co 11.23-28, mas suas qualificações ministeriais se parecem com o diário de um criminoso comum: aprisionado, açoitado, esfomeado, obrigado a fazer trabalhos forçados — tudo coisas que o retratam como um homem fraco. Por quê? Porque, como Paulo escreve aos coríntios no capítulo 12, ele foi chamado para sofrer. A obra do evangelho avança e a igreja é edificada nos trilhos do sofrimento, o que demonstra o poder de Deus operando por meio da fragilidade humana.

Baseado em 2 Coríntios e outras epístolas, fica claro que Paulo esperava que todos os ministros fiéis vivenciassem algum nível de aflição. Em 2Ti 2:.3, ele exorta Timóteo, seu filho na fé, “Participa dos meus sofrimentos como bom soldado de Cristo Jesus”.

Como arauto do evangelho de Jesus Cristo, sou chamado a sofrer.

O Sofrimento é Normal para Pastores

Ao longo da história da igreja de Jesus Cristo, surgiu um padrão. Aqueles a quem Deus usou profundamente para edificar sua igreja sofreram aflição pelo caminho. O pai da igreja Atanásio (296-373) foi exilado cinco vezes por acusações de heresia. Dezenas de primeiros crentes foram queimados em fogueiras ou devorados por leões. João Calvino (1509-1564) viveu grande parte de sua vida sob ameaça de morte pela Igreja Católica Romana. O pastor puritano John Bunyan (1628–1688) escreveu O Peregrino durante uma prisão de 12 anos por pregar o evangelho. Charles Spurgeon (1834-1892) vivia em constante dor física e sofria de profunda ansiedade por defender corajosamente a Palavra de Deus face ao crescente liberalismo do século XIX.

Dezenas de outros, incluindo aqueles cujas histórias compõem os capítulos restantes deste livro, vivenciaram o famoso ditado de A. W. Tozer (1897-1963): “É duvidoso que Deus possa abençoar grandemente a um homem antes que Ele o machuque profundamente”.

É vital que ministros reconheçam essa promessa no início de seus ministérios, caso contrário, podem ser tentados a desistir quando as coisas não saem como planejadas. O sofrimento confirmará seus chamados ou os expulsará do ministério.

Ministério Por Meio do Sofrimento

Minha esposa e eu nunca fomos capazes de sentir grande empatia por famílias que sofreram abortos espontâneos até que, no outono de 1999, nosso primeiro filho morreu no útero de Lisa no quinto mês de gestação, Estávamos planejando chamá-lo pelo nome do meu primo distante, o grande jogador de beisebol Brooks Robinson, na esperança de que Deus lhe desse o mesmo gene do beisebol. Nos anos que se seguiram, ficamos surpresos com a quantidade de amigos que nos procuravam para aconselhamento e encorajamento após perderem uma criança no útero.

Anteriormente, o melhor que eu podia fazer era oferecer alguns chavões superficiais baseados na teologia reformada, destacando os Puritanos, Spurgeon e talvez Corrie ten Boom, assegurando-lhes que estes santos sofreram e que nós devemos sofrer também. Mas minhas palavras não tinham impacto; eu não sabia do que estava falando.

Não entendemos completamente a aflição e a fidelidade inflexível de Deus no caldeirão, até termos passado algum tempo em sua fervura. Tal como o apóstolo Paulo aprendeu “ad nauseam”, Deus preenche essa lacuna em seus servos. Paulo e Barnabé disseram aos cristãos que “através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (At 14.22). Os cristãos se tornam cidadãos do reino por meio de Cristo somente, mas também pelas provações.

Deus Está Conosco

Paulo assegurou a seus leitores que Deus estaria com eles na fornalha de aflição — tal como esteve com os meninos hebreus em Daniel 3. Por sua vez, eles seriam capazes de falar aos crentes ansiosos sobre a fidelidade, o amor e a misericórdia de Deus, que prometeu nunca deixar, nem abandonar o seu povo (Hb 13:5).

O ministério pastoral não é um abrigo blindado contra a tempestade deste mundo caído.

É um chamado para mergulhar de cabeça nela.

 

Traduzido por Raul Flores

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