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Poucos meses antes de vir para os Estados Unidos, encontrei-me com um professor da Trinity Evangelical Divinity School, que era preletor numa conferência na Inglaterra. Ele não era membro da congregação que eu estava indo servir, mas conhecia muito bem a igreja. Eu estava ansioso para saber suas impressões sobre a igreja, num subúrbio de Chicago onde em breve, eu iria servir.

Perguntei o que ele achava que seria o meu maior desafio e nunca vou esquecer sua resposta: “Seu maior desafio será saber o que fazer. Eles já têm tudo”.

Assim era a reputação da igreja em Laodicéia. Era uma igreja em constante atividade e de sucesso aparente. O que caracterizava essas pessoas era sua notável confiança, evidenciada por sua auto-apreciação: “Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta;”. (Ap 3:17). Laodicéia era uma congregação 5 estrelas. Os visitantes que lá fossem, diriam: “O que mais poderíamos desejar? Eles tem tudo aqui”. Se o pastor de Laodicéia tivesse conclamado a congregação para um período de reflexão sobre sua vida espiritual, os membros teriam dito: “Está tudo indo muito bem, obrigado”.

Cristo Fora da Igreja

No entanto, aqui está a grande ironia: Apesar de sua boa reputação, Jesus estava de pé, do lado de fora dessa igreja deslumbrante, batendo à porta (Ap 3:20). Para mim, esta é uma das imagens mais extraordinárias da Bíblia. Cristo fora de Sua própria Igreja! Jesus batendo à porta do Seu próprio povo!

Eu sei que este texto é frequentemente usado para convidar incrédulos a abrir seus corações a Cristo. Está certo. Mas a primeira aplicação não é para os incrédulos, e sim para a igreja.

Pense sobre quem está batendo à porta: É o Senhor glorificado, o Cabeça da Igreja, que é Seu corpo e Sua noiva. Cristo ama a Igreja e, sem Ele, não haveria Igreja para amar. Na cruz, Ele se deu a si mesmo para que houvesse Igreja. Agora, entronizado no céu, Ele dirige a Igreja em sua missão, a sustenta em meio a todos os ataques de seus inimigos e um dia vai conduzi-la para a alegria de Sua presença para todo o sempre.

A vida de Cristo se concentra na Igreja. Mas em Laodicéia, a vida da Igreja não se centralizava em Cristo. Ele estava do lado de fora, batendo à porta.

Como deixar Cristo de fora da igreja? Aqui estão três maneiras.

1. Cristo pode estar fora da pregação de uma igreja.

No verão de 2011, tive algumas semanas de licença para estudar e pude visitar várias igrejas nesse período. Com a possibilidade de visitar uma diferente a cada domingo, fiquei impressionado com o número delas em que o nome de Jesus não foi mencionado sequer uma vez no sermão.

Ouvi muito sobre casamento, família e comunidade. Ouvi muito sobre abrir-se a outras pessoas. Havia muitas referências gerais a Deus e muitas citações da Bíblia. Mas, em muitas dessas mensagens, Cristo estava claramente ausente. Mesmo quando os sermões eram da Bíblia, demasiado frequente, Cristo estava fora da pregação.

2. Cristo pode estar fora da missão de uma igreja.

No ano passado, nossa equipe de liderança leu e dialogou sobre um excelente livro, escrito por Kevin DeYoung e Greg Gilbert, intitulado “Qual É a Missão da Igreja?: Entendendo a Justiça Social e a Grande Comissão” (Editora Fiel). Você pode estar se perguntando: 'Por que alguém precisaria de um livro sobre a missão da Igreja? Será que a Grande Comissão não ficou clara?' Sim, ficou.

Porém, não importa o quão clara seja a Grande Comissão. A missão está sendo amplamente redefinida em nosso tempo como ser uma bênção, estar presente ou aliviar necessidades – e tudo isso pode ser feito sem sequer mencionar-se o nome de Jesus.

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações… ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28:19-20) é uma missão radicalmente centrada em Jesus. Contudo, muitas igrejas estão redefinindo missão de uma forma em que Cristo fica de fora, batendo à porta.

3. Cristo pode estar fora da comunhão da igreja.

Uma marca característica de nossos dias, é que as pessoas desejam comunidade. Queremos “viver a vida juntos”. Eu já usei essa frase e provavelmente você também. Viver a vida em conjunto é bom, mas há a possibilidade de fazê-lo com Cristo do lado de fora.

A comunhão cristã vai além do viver a vida em conjunto. Trata-se de viver uma vida em conjunto com Cristo, em Cristo e por Cristo.

A palavra “comunhão” significa, literalmente, compartilhar uma vida em comum. Quando Jesus vive em nós, compartilhamos juntos Sua vida. Entrar para um pequeno grupo para confraternizar é um benefício maravilhoso e construir relacionamentos de apoio é uma grande bênção. Mas precisamos ter o cuidado de manter Cristo no centro da nossa comunhão. Não queremos que Ele fique de fora, batendo à porta.

O grande desafio para a igreja de Laodicéia era a baixa temperatura de sua vida espiritual. Eles não eram nem quentes nem frios, mas mornos. A temperatura espiritual aumenta, à medida que Cristo torna-se fundamental para toda a vida e ministério de uma igreja. E isso inclui sua pregação, missão e comunhão.

 

Traduzido por Alessa Mesquita do Couto

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