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Sabemos há muito tempo que o mundo das celebridades é um ambiente fértil para escândalos sexuais. Hollywood está repleta de histórias de cônjuges infiéis, amantes secretos e, mais recentemente, abuso sexual generalizado e má conduta perpetrada por alguns dos maiores nomes da chamada “Tinseltown”.

Tais histórias, embora relativamente comuns, são sempre difíceis de ouvir. O adultério em série e a indulgência sexual desenfreada são atividades que, com razão, geram uma repulsa sagrada.

Infelizmente, a infidelidade conjugal não é um pecado exclusivo de celebridades incrédulas. A igreja também enfrenta o pecado do adultério, mesmo entre alguns de seus líderes mais visíveis.

Devemos sentir legítimo desgosto moral diante de tal pecado traiçoeiro. Devemos orar pela salvação destas celebridades — para que Deus possa libertá-las do domínio de seus desejos pecaminosos e atraí-las para Jesus Cristo. E, especialmente nos últimos meses, que Deus proteja aqueles que estão em liderança cristã.

Sim. Mas, irmãos, quantas amantes você tem?

Harém Mental e Digital

Há poucas coisas piores nas Escrituras do que a infidelidade da aliança, e aqueles de nós que somos casados ​​podem responder à histórias de infidelidade com votos de nunca cometer adultério contra nossas esposas.

Isso é bom, mas as Escrituras não nos permitem ficar satisfeitos em evitar o intercurso sexual ilícito ao mesmo tempo em que entretemos um harém inteiro de mulheres em nossos corações e em nossos dispositivos digitais. A luxúria, Jesus nos diz, é adultério mental, e é séria o suficiente para nos mandar para o inferno (Mt 5.27–29).

Jesus, é claro, não está sugerindo que cristãos genuínos podem perder sua salvação (ver Jo 5.24; 10.27-30). Pelo contrário, ele está ensinando aos seus discípulos que a fé verdadeira ama tanto a pureza que lida radical e impiedosamente com o pecado sexual e a tentação. A advertência sobre o inferno serve para estimular os verdadeiros discípulos a fazerem o que for necessário para não cobiçar outra mulher. Aqueles que evitam a expressão física do adultério, ao mesmo tempo em que alimentam seus corações com pornografia, imagens de mulheres com roupas escassas ou pensamentos sensuais sobre as mulheres em sua igreja podem evitar o escândalo exterior, mas não escapam do julgamento eterno. “Sem a santificação”, escreveu o autor de Hebreus, “ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Portanto, a luta pela pureza é infinitamente mais do que uma luta por uma vida livre de escândalo conjugal e um lar desfeito. É uma batalha pelo céu. Renda-se à luxúria, entregue-se à impureza e a seguir perfis suspeitos no Instagram, e você estará se colocando em eterno perigo.

Mas o outro lado da advertência de Hebreus é a gloriosa promessa de que “os limpos de coração verão a Deus” (Mt 5.8). Nós não arrancamos os olhos ou cortamos nossos membros por gostarmos de um tipo de masoquismo espiritual. De fato, qualquer abordagem à pureza que busque o asceticismo por si só levará a problemas maiores (veja Co 2.23).

Em vez disso, lidamos impiedosamente com a luxúria porque queremos provar e ver a santidade de Deus mais do que queremos olhar para mulheres semi-nuas ou cultivar fantasias sobre nossa vizinha. Ao combatermos a luxúria, portanto, antecipemos ansiosamente a comunhão com Deus, pois nosso Pai está pronto para habitar e nos encher de alegria ao guardarmos Seus mandamentos (Jo 14.23; 15.10).

Três Exortações na Busca da Pureza

Mas como podemos buscar este tipo de pureza e colocar a luxúria sexual à morte? Não dá para ser exaustivo aqui, mas posso oferecer algumas exortações urgentes.

1. Pare de olhar pornografia e outros sites e aplicativos ilícitos imediatamente

Aqueles que são repelidos por fortes ordens para “parar” de fazer algo, vendo tais apelos como míopes e contrários ao evangelho, podem não pensar muito bem deste conselho. Mas este tipo de admoestação é bíblico — e decorre diretamente das boas novas da graça e da justificação somente pela fé. Depois de lançar os alicerces da obra de Deus em Cristo, Paulo freqüentemente instrua seus leitores a cessarem e desistirem das expressões exteriores do pecado (por exemplo, Ef 4.20-32). Ele também disse aos crentes que se entregassem à justiça, e que não fizessem disposição para a carne (Rm 6.19; 13.14). E aqui estão as boas novas: pelo Espírito de Deus, podemos parar a prática pecaminosa (Rm 8.13).

Talvez você não ouça isso tão diretamente com frequência, mas precisa parar de arranjar desculpas e parar de olhar para sites sensuais, revistas e aplicativos de smartphones agora mesmo.

Se for preciso cancelar a internet, largar o Netflix e excluir todos os aplicativos sedutores do seu telefone (ou abandonar o smartphone), faça isso. E não espere até sentir vontade. A imagem que Jesus utilizou de automutilação em seu ensino sobre pureza, nos lembra que nunca nos sentiremos com vontade de fazer esta separação radical do nosso pecado.

Assim como não esperamos até que tenhamos a sensação de perder nossa mão doente antes de permitirmos que um médico a remova, também necessitamos ter os recursos espirituais para fazer a separação final com o pecado, quando sentimos que fazê-lo é totalmente contrário à nossa felicidade atual.

2. Prepare-se para a guerra

Após começar a batalhar contra a luxúria e iniciar o trabalho de expulsão, você descobrirá que seu inimigo não tem intenção de se render silenciosamente. Pode ser que você remova os aplicativos do seu telefone e exclua sites de seu laptop. Você pode se comprometer a não mais se entregar à masturbação. Bom. Mas espere alguns dias. Após cerca de uma semana, seu corpo e sua mente começarão a clamar por gratificação, e o ensino direto das Escrituras poderá, em momentos de intensa tentação, soar como insensatez ou meras sugestões, ao invés de comandos de vida ou morte.

Você deve estar ciente de como a batalha será, especialmente nos primeiros estágios, para que não seja vítima do engano do pecado. Ceder à tentação pode parecer a coisa certa no momento, mas só alimentará sua carne, entrincheirará ainda mais seu inimigo e minará sua segurança (Rm 8.6; Gl 6.8).

3. Confesse seus pecados a irmãos piedosos da igreja

Não tente combater a luxúria sozinho; você nunca foi feito para isso. Confesse seus pecados a outros irmãos. Não envie e-mails para pastores on-line de outras igrejas. Em vez disso, abra-se com homens piedosos em sua igreja local para que eles possam orar por você, oferecer sabedoria, levantá-lo quando você cair e encorajá-lo a manter um coração receptivo à Palavra de Deus (Hb 3.12–14).

E seja honesto! Já vi homens tomados por pecados que eles pareciam estar derrotando porque não se abriram totalmente com conselheiros piedosos. Tal como Ananias e Safira, eles retiveram um pouco de informação vital, e aquela desonestidade permitiu que uma pequena raiz de luxúria permanecesse plantada com segurança em seus corações. Com o tempo, aquela planta nociva re-brotou e tomou conta deles novamente.

“Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros”, Tiago nos exorta (Tg 5.16). Por quê? Porque a luxúria, tal como qualquer pecado, prospera no escuro. Mas quando confessamos nossas transgressões uns aos outros, a luz invade nossa luxúria, que começa a secar e a morrer.

Irmãos, a luxúria é adultério do coração. Quer você seja casado ou solteiro, necessita abandonar todas as suas amantes. Não permita que seu coração passeie perto das moradas digitais delas (Pv 7.8), pois elas o enredarāo com promessas tentadoras, mas falsas, que somente levam à morte (Pv 7.23). Fuja delas agora. A luta e a fuga valem a pena.

 

Traduzido por Thaisa Marques

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