O Amor e o Consumismo

O individualismo do romantismo, por fim, se torna pior. Torna-se superficial. Os relacionamentos não são mais consertados, e sim negociáveis. Isso significa que nos identificamos menos pelos nomes de nossos pais ou pelo lugar de onde viemos e mais por nossas escolhas – como um comprador. Os olhos sonhadores da geração romântica se tornam transações consumistas na geração seguinte; e transações consumistas não são usualmente guiadas por valores espirituais ou morais mais profundos da vida. Assim, a vida se torna cada vez mais um shopping center; e as crenças e os valores do indivíduo dependerão dos apetites do momento.

Quando lidamos com amor e relacionamentos como consumidores, são os traços mais superficiais que nos atraem a atenção, visto que os processos de tomada de decisões de um consumidor dependem de qualidades externas e não de qualidades mais profundas, não visíveis. Beleza é mais importante do que caráter. Renda é mais importante do que constância. Comportamentos são mais importantes do que valores. Desempenho sexual é mais importante do que fidelidade. Afinal de contas, o que você procura numa loja: uma marca ou uma essência interior?

No amor romântico do século XIX, a sexualidade era entendida como algo que emergia do amor verdadeiro. Quando a revolução sexual ocorreu na última metade do século XX, sexo prazeroso se tornou a pré-condição do amor. O sexo se tornou o teste no início de um relacionamento, em vez de um prêmio a ser ganho num relacionamento mais profundo. Uma grande ênfase foi colocada sobre a habilidade sexual e o tipo de corpo. A pornografia achou mercado fácil quando o público se tornou mais facilmente iludido por suas fantasias.

Uma consequência do individualismo e do consumismo é o temor de se fazer compromissos vinculatórios. Certamente, as pessoas em nossos dias são menos propensas a unirem-se a clubes, associações e grupos cívicos do que seus antecessores. Estamos nos casando mais tarde e nos divorciando mais frequentemente. Também estamos mudando de carreira e de emprego com mais frequência. Sempre que um relacionamento se torna inconveniente ou exige demais, é abandonado.

Como resultado, a ideia de compromisso é removida dos ingredientes do amor. Os pais justificam seu divórcio por ser “mais amoroso para os filhos”. Porcentagens mais elevadas de casais moram juntos, afirmando que seu amor não “precisa” de uma certidão de casamento. Ou, embora amem um ao outro hoje, “quem sabe como será daqui a dez anos?” Mas pare e pergunte aos casais que apenas moram juntos quem, no momento, eles estão realmente amando e protegendo? Não é a si mesmos? Por que mais eles manteriam abertas suas opções futuras?

O amor que idolatramos se foca em autodescoberta, autorrealização, autoexpressão. Foca-se em exterioridades. Busca uma barganha. Fixa-se no momento presente, divorciando-se do passado e ignorando o futuro. Procura se justificar quando seguir em frente torna-se difícil. Esse amor é, em todas estas maneiras e outras mais, infantil. É também, em última análise, egoísta.


Trecho do livro A Regra do Amor, lançamento em breve pela Editora Fiel.

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