Como é a Oração Centrada no Evangelho

Ben White em Unsplash
Nota do Editor: 

Este é um excerto adaptado de Basics for Believers: The Core of Christian Faith and Life [O Básico para Crentes: O Cerne da Fé e Vida Cristā], publicado em parceria com a Baker Books.

Em Filipenses 1.4, Paulo relata que sempre que orava pelos filipenses, ele o fazia com alegria e gratidão. Alguns versículos depois, continua nos dizendo o conteúdo de suas orações por eles:

E também faço esta oração: “que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.” (Fp 1.9-11).

Isso é maravilhoso. As petições de Paulo refletem as prioridades do Evangelho.

Observe três características desta oração.

1. Amor Abundante

Primeiro, Paulo ora para que o amor dos filipenses “aumente mais e mais”. Paulo não fala a respeito de nenhum objeto específico. Ele não diz “que o vosso amor por Deus aumente mais e mais” ou “que o vosso amor uns pelos outros abunde mais e mais”. Suspeito que ele deixa o objeto em aberto precisamente porque ele não gostaria de restringir sua oração a um ou ao outro.

Do ponto de vista cristão, o amor crescente por Deus deve ser refletido no amor por outros crentes (veja 1 Jo 5.1). Por mais maravilhosa que aquela congregação tenha sido, por mais fiel que tenha sido em seu amor, mesmo pelo próprio apóstolo, Paulo ora para que seu amor possa abundar cada vez mais.

2. Conhecimento e Percepção

Segundo, o que Paulo tem em mente não é mero sentimentalismo ou a empolgação gerada, por exemplo, por uma grande conferência. Paulo escreve que ora “para que o vosso amor possa abundar mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção”. O tipo de amor que Paulo tem em mente é o amor que se torna mais instruído.

É claro que Paulo não está se referindo a qualquer tipo de conhecimento. Ele não espera que os filipenses aprendam mais e mais sobre física nuclear ou tartarugas marinhas. Ele tem em mente o conhecimento de Deus. Paulo deseja que eles se beneficiem das palavras e dos caminhos de Deus e, portanto, saibam como viver à luz deles.

A suposição, evidentemente, é que não podemos realmente crescer em nosso conhecimento de Deus se estivermos cheios de amargura ou outros pecados egocêntricos. Há um elemento moral em conhecer a Deus. É claro que uma pessoa pode memorizar as Escrituras, ensinar na escola dominical ou obter um diploma em teologia, mas isso não é necessariamente o mesmo que crescer no conhecimento de Deus e ter percepção sobre seus caminhos.

Tal crescimento requer arrependimento; exige uma redução de nosso característico foco em nós mesmos. Para colocar esta verdade de modo positivo, a situação exige um aumento em nosso amor, nosso amor por Deus e pelos outros.

Assim como o conhecimento de Deus e da sua Palavra serve como um incentivo para o amor cristão, também o amor é necessário para um conhecimento aprofundado de Deus, porque é extremamente difícil avançar na vida cristã em uma única frente. Os cristãos não podem dizer “melhorarei minha vida de oração, mas não minha moralidade”, “aumentarei em meu conhecimento de Deus, mas não em minha obediência” ou “amarei os outros, mas não em pureza ou em meu conhecimento de Deus”. Eles não podem fazer isso.

A vida cristã abrange todas as facetas da nossa existência. Todo o nosso viver, fazer, pensar e falar deve acontecer em alegre submissão a Deus e ao seu Filho, nosso Salvador.

Então, se por um lado, Paulo ora para que o amor dos filipenses “aumente mais e mais”, ele acrescenta rapidamente, “em pleno conhecimento e toda a percepção”.

3. As Coisas Excelentes

Em terceiro lugar, para Paulo, esta oração tem um outro fim em vista. Como ele diz aos filipenses, Paulo leva estas petições a Deus, “para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo” (1.10). Claramente, Paulo não quer que os crentes filipenses fiquem satisfeitos com a mediocridade. Não podem ficar satisfeitos, em um mundo caído, com o status quo. Ele quer que estes crentes sigam em frente, se tornem mais e mais perspicazes, provando por experiência própria “as coisas excelentes”. Ele quer que eles busquem o que há de melhor no conhecimento de Deus, em seus relacionamentos com outros crentes; que busquem o que é melhor em obediência jubilosa. Pois o que ele definitivamente quer deles é a perfeição. Sua oração é para que sejam “sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo”.

Para Paulo, esta não é uma oração idólatra. Para algumas pessoas, é claro, isso poderia se tornar idólatra. Para os perfeccionistas – pelo menos em algumas áreas em que eles se sobressaem – a perfeição torna-se uma espécie de fetiche, até mesmo um grande ídolo. Esse, porém, não é o caso de Paulo. A excelência pela qual ele ora por si e pelos outros é definida mais adiante no versículo 11: “cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo”. Além disso, nada dessas coisas acontecerão apenas para melhorar a nossa reputação. Por mais triste que isso seja, algumas pessoas estão mais interessadas em uma reputação de santidade e excelência do que em santidade e excelência de fato. Mas todas essas pequenas opções são deixadas de lado na última restrição de Paulo. Sua oração é oferecida “para glória e louvor de Deus” (1.11).

É para este fim que Paulo ora. É necessário apenas um momento de reflexão para ver que todas essas petições são centradas no Evangelho. Estas são orações do Evangelho. Isto é, são orações oferecidas para promover a obra do Evangelho na vida dos crentes filipenses. E, ao pedir o fruto do Evangelho em suas vidas, o propósito final dessas petições é trazer glória ao Deus que as redimiu.

 

Traduzido por Abner Arrais

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