Buscando Uma Educação ou Apenas Credenciais?

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A era digital levou a uma explosão de oportunidades educacionais. É possível baixar cursos pela internet, assistir a todas as suas aulas em intervalos curtos de tempo, participar de um centro de extensão de um seminário, participar de um programa com uma equipe, fazer um estudo independente ou participar de todas as suas aulas no campus e fazer parte da comunidade da escola. Cada uma destas abordagens têm seus pontos fortes e fracos, e eu vivenciei cada uma delas em um momento ou outro da minha jornada educacional.

Em uma era com tantas opções, a tentação é que pensemos em nossos estudos em termos de colocar o sinal de concluído nos itens de uma lista, a caminho de um diploma. É necessário um conjunto específico de credenciais no currículo, portanto, cumprimos os requisitos necessários da escola e, eventualmente, receberemos o desejado diploma. De acordo com um estudo recente da Barna, a maioria dos evangélicos vê a educação em termos de carreira, conforme dados a seguir.

Os evangélicos são mais propensos do que pessoas sem fé a responderem que o principal propósito da educação é a preparação para uma carreira e o aumento de oportunidades financeiras.

Apenas 10% dos evangélicos vêem a faculdade em termos de desenvolvimento de caráter moral – 3% menos do que os de “nenhuma fé”. Somente 9% crêem que a faculdade deve incentivar o crescimento espiritual.

Portanto, não é de surpreender que, quando alguém me pergunta sobre o aprimoramento de sua educação, esteja tentando determinar como obter as credenciais de que necessita, num curto período de tempo, com o mínimo de interrupção possível em suas vidas. Elas estão em busca de respostas, mas eu lhes dou perguntas diferentes a se fazerem.

Um Coração Sábio

Uma abordagem à educação que se concentra principalmente em credenciais e conveniência é superficial e francamente, entediante. Trata-se de um jogo de ultrapassar obstáculos para passar de ano e obter um diploma.

A pergunta frequente sobre credenciais é: de qual diploma necessito para poder fazer o que quero fazer? Essa pergunta está errada. Uma pergunta melhor é: que tipo de pessoa quero me tornar? Não se trata de seu currículo, mas de seu coração. Não se trata apenas de obter conhecimento, mas de obter sabedoria.

Pensando corretamente, os estudos não devem começar com o objetivo final de um diploma em mente. Devem começar com uma visão de quem queremos nos tornar e como nossa jornada educacional irá nos transformar em um tipo específico de pessoa. Centra-se na verdade, na bondade, na beleza. Trata-se de cultivar um coração sábio, não apenas uma mente que possa passar nos testes ou entregar os relatórios. Trata-se de uma busca apaixonada pela verdade, não de um caminho conveniente para um diploma.

A Educação é Mais Que Informação

O problema com começar no nível superficial de diplomas e especializações é que isto transforma a educação em mera transferência de informações. Dedica-se o tempo necessário, paga-se o boleto e obtém-se o diploma.

Infelizmente, não são apenas alunos que abordam a educação desta maneira. Muitos professores também o fazem. O resultado é uma sala de aula – online ou presencial, e ninguém realmente quer estar lá. É uma rotina entediante em que alguém apresenta informações, determina livros e projetos, dá pouco ou nenhum retorno sobre o que é entregue, e não demonstra nenhum interesse na busca da verdade ou no cultivo da virtude. Não é de se admirar que tanto estudantes quanto professores vejam a educação como um suplício. A linha de chegada é o único aspecto atraente da jornada!

Compare este tipo de abordagem educacional com uma visão mais profunda da educação, que se concentra não tanto na transferência de informações de um especialista para um neófito, mas no cultivo de hábitos de coração e mente que levam a uma maior exploração e aprendizado. Focar principalmente em um diploma, considerando os cursos como um jogo de obstáculos a serem superados, é esmagador para a alma. Sufoca nossas imaginações e asfixia nossos sentidos. O trabalho enfadonho de uma educação focada em credenciais frustra o impulso de um coração que deseja ser vivificado na emocionante descoberta da verdade. Isto edifica um bloqueio no caminho em direção à sabedoria.

Nós Somos o Projeto

Em seu clássico sobre a vida intelectual, Sertillanges deixa claro que a obra final do estudioso não são os papéis que ele entrega ou os livros que ela escreve. “O homem é o trabalho finalizado”, ele escreveu. Nós não apenas concluímos os projetos; nós somos o projeto. Podemos pensar que estamos exercendo esforços nas leituras, nos trabalhos e nos debates, mas, na verdade, eles é que estão exercendo sua influência sobre nós.

A educação é formação, não apenas informação. Para o cristão, a formação ocorre por meio da adoração. Tal como escreveu David Dockery: “A educação teológica saudável, fundamentada na boa teologia, deve sempre levar à doxologia”.

A educação sem adoração não é cristã. É por isso que, no mês passado, quando eu estava lecionando em Wheaton, nós incorporamos momentos de oração e canto. A experiência educacional deve levar a emoções profundas, seja na forma de lamento por erros passados, seja em momentos de exultação e louvor na descoberta renovada de antigas verdades. A carta mais intelectualmente desafiadora do apóstolo Paulo (Romanos) vai desde os mais profundos abismos de análise até as mais altas alturas de louvor: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! .

Portanto, se você estiver considerando oportunidades e planos educacionais, não procure respostas apenas para perguntas sobre credenciais. Adote um conjunto diferente de perguntas.

 

 

Traduzido por Raul Flores

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