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Mantenha a Calma e Plante Igrejas

Uma rápida olhada nos acontecimentos do mundo ao longo do último ano, para não mencionar esta semana, apresenta uma imagem assustadora. De decapitações a terrorismo, de negociações de armas nucleares a cessar fogo, das decisões da suprema corte à opinião pública, para os cristãos, as manchetes diárias não conduzem exatamente à confiança e à estabilidade.

Em tempos aparentemente de trevas, como devem os cristãos responder?

Voltar às Antigas Trajetórias

Nossa reação deve ser a mesma dos cristãos primitivos. Se você fosse um cristão vivendo no primeiro século, provavelmente teria sentido alguma inquietação ao vivenciar os principais acontecimentos que alteraram drasticamente o curso do mundo: a primeira guerra judaico-romana (63-73 d.C.), a perseguição romana aos cristãos (por exemplo, 64 d.C.) e até mesmo a destruição do templo (70 d.C.).

Certamente, os cristãos de então, tal como os de hoje, sentiam temores e se perguntariam como esta nova fé na mensagem apostólica sobre Jesus poderia fazer sentido em um mundo em que tudo estava descambando fora de controle. Ainda assim, o retrato mais amplo que vemos nas epístolas, as quais formam a maior parte do Novo Testamento, não é de desgraça e escuridão, mas de esperança e confiança realistas. Nossos irmãos passados sabiam algo que seus contemporâneos não sabiam: que o mundo e seus poderes não são definitivos. O Cordeiro que foi morto agora governa como o Leão da tribo de Judá (Ap 5.5-6).

Nesse contexto, a mensagem e o exemplo apostólicos são evidentes: mantenha a calma e plante igrejas.

Em um mundo cheio de rivais, de reis e reinos instáveis, a igreja porta o testemunho do verdadeiro Rei e de seu reino inabalável. Não importa se a igreja desponta no ambiente cada vez mais hostil do Oriente Médio ou na relativa calma do mundo ocidental, ela recebeu a tarefa singular de declarar as boas novas da autoridade de Jesus e de chamar pessoas de todos os lugares a se prostrarem (Mt 28.18-20). E, nesta era, a missão e o mandato jamais cessarão, quer o mundo seja governado por um soberano aparantemente amigável chamado Constantino, quer seja governado por um soberano abertamente hostil chamado Nero. Em um mundo cada vez mais cheio de insensatez generalizada, o povo redimido de Deus deve trabalhar para manifestar aquilo que o apóstolo Paulo chamou de multiforme sabedoria de Deus (Ef 3.10).

O Chamado e Exemplo Apostólicos

Paulo enfrentou a ira de Nero, João enfrentou o exílio em Patmos (Ap 1.9) e Tiago enfrentou a espada de Herodes (At 12.2); mas, de maneira estranha, as epístolas do Novo Testamento não são permeadas de medo. Os apóstolos não conclamaram a igreja a se proteger caso a missão de Jesus não desse certo. Como bons pastores, os apóstolos estavam atentos aos acontecimentos de seus dias e instruíram a igreja à luz deles; contudo, não consideravam os acontecimentos ou impérios de sua época como definitivos. Embora Pedro tenha percebido que “o fim de todas as coisas está próximo”, em vez de apresentar um gráfico detalhando as profecias, ele calmamente conclamou os crentes a amarem, orarem e a praticarem a hospitalidade (1Pe 4.7-9). Do mesmo modo, enfrentando exílio e morte certa, João confiava que o mundo e sua narrativa não eram definitivos, uma vez que o Cordeiro imolado estava sendo louvado no céu como o único digno de abrir o livro e seus selos (Ap 5.9).

Ao observarmos o mundo de hoje, a maneira de demonstrar amor aos vários reinos e reis deste mundo é dar testemunho do verdadeiro Rei e do seu reino. O Jesus ressuscitado, soberano sobre as prisões e até mesmo as decapitações dos apóstolos sob o Império Romano, é o mesmo Jesus soberano sobre as prisões e decapitações do seu povo hoje. E da mesma maneira que as várias potências mundiais eventualmente passaram para o segundo plano da história mundial naquela época, o mesmo será verdade para a nossa época. Muito mais do que apenas um pequeno pressentimento ou uma leitura correta da história, somos assegurados pela promessa de Jesus de que a igreja, pelo poder do Espírito, continuará a triunfar (Mt 16.18). Diante de um mundo em crise aparentemente contínua, o chamado aos cristãos não pode simplesmente terminar com a recomendação para manter a calma; necessitamos também seguir os passos de inúmeros irmãos e irmãs que nos precederam.

Portanto, mantenha a calma e plante igrejas.

Traduzido por Abner Arrais.

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