Líderes, O Caminho do Crescimento Passa pelos Fracassos

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É a epítome do desprezo dizer a alguém: “Espero que você fracasse em tudo que fizer”. Mas e se eu lhe disser que espero que você tenha alguns fracassos? Na realidade, estou agindo como seu servo ao lhe dizer isto.

Durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, um artigo apareceu sobre o ex-patinador Scott Hamilton. Ele foi medalhista nas Olimpíadas de 1984 e é analista de longa data desta modalidade. “Uma vez calculei quantas tombos tomei durante a minha carreira de patinador — 41.600 vezes”, disse ele. “Mas aqui está a verdade: eu me levantei 41.600 vezes. Esse é o músculo que você tem que produzir em sua mente — aquele que o recorda para se levantar.

Esse músculo psíquico é produzido no fracasso. Músculos espirituais também são produzidos desta maneira. Para deixar claro, nem todo fracasso é o mesmo. Há falhas catastróficas com consequências tais que uma pessoa pode não conseguir se levantar delas. Uma coisa é um atleta olímpico cair milhares de vezes a caminho de uma medalha de ouro. Hamilton teve que aperfeiçoar seus saltos e piruetas características, sim, mas mesmo com todas as suas quedas em anos de prática e competições, ele claramente não era um fracasso em patinação.

O secretário de imprensa do presidente Lyndon Johnson achava que ninguém que não tivesse sofrido grandes decepções na vida deveria ser autorizado a trabalhar na Ala Oeste da Casa Branca — seja como resultado de falhas de outros ou de suas próprias falhas. Ele achava que a responsabilidade de trabalhar na Casa Branca era grande demais para ser confiada a pessoas que não estavam dolorosamente conscientes de como as coisas podem dar errado.

Mais que as outras pessoas, os pastores necessitam estar profundamente cientes do quão erradas as coisas podem se tornar. Quando dolorosamente compartilha os fracassos de seu povo, torna-se um pastor melhor. Não me refiro a fracassos morais, que são catastróficos para pastores. Nem quero dizer fracasso crônico, onde o mesmo erro é repetido por preguiça, desorganização ou incompetência no trabalho. A inteligência vocacional é, mais ou menos, a capacidade de aprender com os próprios erros. Mas passo aos aspirantes a pastores o que alguém observou há eras atrás: um pastor deve ter a mente de um estudioso, o coração de uma criança e a pele de um rinoceronte.

Por que a pele de um rinoceronte? Porque os outros lhe irão desapontar através de suas críticas e ataques, mas você também irá desapontá-los. E se você quiser abandonar tudo por causa destas falhas, perderá suas melhores oportunidades de crescimento. Coro de vergonha ao me lembrar o dia em que eu, do púlpito, zombei dos efeitos colaterais da medicação para ansiedade. Eu achava que estava sendo engraçado, mas aquilo fez uma jovem mãe sair do templo chorando. Ela tinha testemunhado seu ex-marido assassinar seu pai, e ela estava tomando a medicação como resultado.

Fracassei perante ela — miseravelmente. Ela foi gentil em me perdoar, mas eu aprendi algo sobre as mágoas dentro de uma congregação, algo que eu provavelmente não teria aprendido de outra maneira, exceto por meio do fracasso.

Único Caminho

Esta é a parte difícil: o que tive que aprender com o fracasso porque não aprenderia de outra maneira? Alguém disse uma vez: “Fale quando estiver com raiva e você fará o melhor discurso do qual se arrependerá”. Já fiz isto e fiz isso também quando pregava. Lamento que o tenha feito. Gostaria de poder ter aqueles domingos de volta.

Eu sou um plantador de igrejas fracassado. A igreja que ajudei a começar anos atrás está indo bem hoje — mas não por minha causa. Embora eu tenha derramado meu coração naquilo, não era a pessoa correta para a obra. Agora posso ver isto.

Alguns poderão dizer que fracassei na criação de filhos por causa dos problemas do meu filho. A maioria dos pais que Lynn e eu conhecemos em centros de tratamento de drogas e grupos de terapia se sentem fracassados. Entre as muitas lições que nós, pais de viciados, necessitamos aprender estão as maneiras inúteis que estamos propensos a tentar “resgatar” nossos filhos deles mesmos. Nós nos convencemos de que é para evitar fracassos adicionais, mas estamos praticamente garantindo o fracasso deles quando os resgatamos de todas as formas erradas. É contra-intuitivo a todos os impulsos paternos, mas nosso filho realmente tem que ficar por conta própria. Não quero dizer não ter uma comunidade de recuperação ao seu redor. Isto é essencial. Mas mamãe e papai não podem liderar isto. Ele tem que se manter naquela comunidade por suas próprias pernas para realmente trilhar o caminho da recuperação. Jamais teria conhecimento disto se não tivesse andado por essa estrada escura na criação de meus filhos.

Não sou determinista quando se trata de fracassos. Sou uma pessoa esperançosa. Quando converso com pastores ou pais mais jovens e lhes digo: “Espero que tenham alguns fracassos ao longo do caminho”, digo isso porque creio que crescer é a forma mais importante de sucesso. E eu não creio que crescemos sem alguns fracassos.

Com certeza, o crescimento não é uma consequência automática do fracasso. Mas se formos sempre resgatados, não crescemos.

Portanto, sejamos gratos ao Senhor pelos fracassos — não por suas causas, nem pela dor e confusão que gera — mas pelo crescimento na humildade, gratidão e perseverança que os fracassos tornam possíveis.

 

Traduzido por Raul Flores

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