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Haverá Perdão Para uma Seminarista?

Quando penso no ano de 2019 fico envergonhado. No dia 31 de dezembro sentei-me na cama querendo poder me juntar à multidão de pessoas que, com gratidão a Deus, postavam sobre seus sucessos pessoais, relacionais ou ministeriais do ano. Quando refleti sobre o que tinha sido minha vida nos últimos doze meses, meu coração desfaleceu e meus olhos se encheram de lágrimas. Embora o Senhor continuasse sendo bom e misericordioso, e operado de maneira poderosa, nāo dava para aliviar a situação: eu havia fracassado miseravelmente.

Não amei a igreja local como deveria, não amei meus irmãos e irmãs como deveria, não amei os perdidos como deveria. Em última análise, não amei o Senhor como deveria. Embora isto seja verdade em diferentes níveis para todos os crentes, o pecado que permeou minha vida no ano passado foi especialmente potente e amargo. E isto ocorreu ao eu estar fazendo seminário, estudando para uma vida toda de trabalho no ministério. A ironia era quase insuportável.

Há uma variedade de conselhos por aí para seminaristas — como ser disciplinado, como liderar, como aprender — mas o que fazer quando fracassamos? Ou, como a pergunta na minha mente no último dia de 2019, como seria possível participar da obra de Deus sendo eu tão indigna? Felizmente, a Bíblia responde a esta pergunta que assombra os corações dos seminaristas da mesma forma como fala a todos os seguidores de Jesus Cristo nos últimos 2000 anos.

Contemplando a glória de Deus.

Para caminharmos na luz, é necessário que sejamos capazes de discernir entre a luz e as trevas. Em uma sociedade onde o relativismo reina como doutrina suprema — e qualquer outra coisa que não seja a aceitação total de qualquer tipo de comportamento é considerado inaceitável — o povo de Deus deve ter cuidado para seguir o chamado à santidade, que nos é dado na Palavra de Deus. Mesmo dentro da igreja, nossos olhos podem ser atraídos para a tradição em vez da verdade, e nossos corações podem pegar bons exemplos e elevá-los à posição de ídolos. Só poderemos andar na luz, em verdadeira santidade, uma vez que vislumbremos a luz da glória de Deus.

O registro do profeta Isaías da sua visão do templo do Senhor nos mostra como é a resposta proporcionalmente adequada à contemplação da santa majestade de Deus: “Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos!” (Isaías 6.5).

A glória de Deus é demonstrada da forma mais clara na pessoa de Jesus Cristo. Por causa de sua obra na cruz, o véu do templo se rasgou — eliminando a separação entre Deus e seu povo. Agora “todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” (2Co 3.18). Um componente essencial dessa transformação é o arrependimento.

Arrependa-se do seu pecado.

Contemplar tal beleza e santidade pode ser doloroso, no sentido de que aumenta nossa consciência de insuficiência e inadequação. Quando contemplamos a glória de Deus, somos capazes de compreender corretamente nossa posição diante dele e à parte de Cristo: perdidos, impuros, indignos. Embora nossa carne guerreie contra ela, a humildade de reconhecer nossa necessidade de perdão e redenção de Deus é uma dádiva.

Como demonstrado na parábola do fariseu e do publicano que Jesus contou em Lucas 18.9-14, a humildade gera o arrependimento e nos protege da auto justificação. Ela nos protege de apelar a Deus e apaziguar nossas consciências simplesmente comparando nossos atos com os de outros alunos, professores, líderes de ministério, igrejas ou perdidos. A humildade permite que nos unamos ao publicano arrependido dizendo: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador”

Nós que trabalhamos no ministério vocacional frequentemente necessitamos de ser lembrados de que esta misericórdia não depende das nossas obras. Não é o quanto compartilhamos o Evangelho, o número de sermões eloquentes, ou as confirmações de sucesso do mundo que definem nossa posição perante nosso santo Deus. Embora a nossa posição diante do Pai, à parte de Cristo, seja de perdição, em Cristo “temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça” (Ef 1.7).

Quando reconhecemos nosso pecado, ao invés de nos escondermos por causa da culpa, do medo ou de vergonha podemos repousar em Cristo e no seu corpo, a Igreja, sabendo que somos cobertos e lavados pelo precioso sangue de nosso Salvador. Podemos obedecer alegremente ao mandamento das Escrituras: “confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados” (Tg 5.16). Podemos fixar os olhos na glória de Deus sabendo que “agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” (Ro 8.1).

Responda ao chamado do Senhor.

Deixar de amar e obedecer a Deus deve causar tristeza em nossos corações, mas se houver arrependimento genuíno, não devemos ficar desolados. Embora enxergar nosso pecado e lamentá-lo seja uma graça de Deus, a vida cristã não termina aí. Em Isaías 6, algo extraordinário acontece ao profeta após sua culpa ser perdoada e seu pecado ser expiado pelo Senhor:

“Depois disto, ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim” (v. 8).

As boas novas para seminaristas (e para todos que seguem a Cristo) sāo que não só temos o perdão em Cristo, mas também a redenção. Deus designou pecadores arrependidos e amados para realizarem a obra do seu reino. Em Cristo, somos filhos queridos que atuam neste mundo caído como embaixadores da graça, em nome do nosso Pai Celestial. Recebendo poder pelo Espírito Santo, podemos ser compelidos pela glória de Deus a virar as costas ao nosso pecado e levar as boas novas do evangelho até os confins da terra.

 

 

Originalmente publicado em https://ftc.co/resource-library/blog-entries/is-there-forgiveness-for-a-seminary-student por ftc.co.

Traduzido por David Bello.

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