Discipular Crianças é um Longo Jogo de Pequenas Interações

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Minha família morou na França. Meu irmão foi colocado em uma escola primária local sem saber falar uma única palavra em francês. Não julgue meus pais. São excelentes pessoas. Por cerca de três meses meu irmão não falou uma palavra na escola. Nenhuma palavra. Mamãe e papai estavam prestes a tirá-lo da escola quando ele entrou em casa um dia falando francês fluentemente. E ele nunca perdeu esta capacidade. Mesmo hoje, 35 anos depois, ele ainda pode surpreender nossos vizinhos continentais com seu francês perfeito.

A capacidade humana de aprender é incrível, e sua fase mais inspiradora é durante a infância. Ainda assim, muitas vezes pode parecer lenta, imprevisível e geralmente um pouco frustrante.

Não nos lembramos do momento em que aprendemos a falar nossa língua materna. Não porque nossa memória seja falha, mas porque — como todos sabemos — aprender a falar como crianças pequenas não funciona dessa maneira. O processo é longo e lento, movendo-se gradualmente do balbuciar (“Ela está definitivamente dizendo ‘mamãe’!”), para fragmentos de sentenças (“Quer carro!”), até uma conversa real. E embora a maior parte do tempo os adultos podem se fazer entender bem o suficiente, todos nós ainda estamos aprendendo. Ainda hoje estou descobrindo novas palavras — aparentemente, a coisa que quase sumiu no aspirador hoje de manhã é chamada de “butterfly clutch” [prendedor de acessórios em forma de borboleta]. Quem sabia disso?

Nosso crescimento espiritual funciona da mesma maneira.

A Maturidade Leva Tempo

Pode haver momentos significativos quando “a ficha cai”, quando entendemos uma verdade com mais clareza ou vivenciamos algo de Deus que antes era apenas “conhecimento do cérebro”. Mas na maioria das vezes nós crescemos em conhecimento e amor por Jesus gradualmente, por meio de um acúmulo de leitura da Bíblia, fé exercida diariamente, obediência e ouvir a sabedoria de outros cristãos.

Devemos ter a mesma expectativa para os nossos filhos.

Como pais, devemos lembrar que o crescimento espiritual — bem como o crescimento de todos os outros tipos — é geralmente um processo lento, delicado e até doloroso, em vez de uma série de grandes saltos. Raramente vem por meio de desempenhos incríveis, quando explicamos um aspecto da fé cristã de forma clara e abrangente para uma criança que ouve, fascinada, antes de responder com perfeita compreensão e aceitação imediata. Imagine se funcionasse assim. Você explicaria o evangelho uma vez; eles “fariam a oração”. Então, eles perguntariam se Deus realmente está encarregado de tudo; você apresentaria um breve resumo de todos os aspectos da soberania de Deus. Eles iriam sorrir e dizer: “Obrigado, agora eu entendi”.

Resista à Atração do Discipulado de Solução Rápida

Somos frequentemente tentados a procurar atalhos. O hábito consistente de ler a Bíblia juntos, conversar sobre o que lemos e fazer conexões entre o que lemos e a vida comum não nos parece espetacular. Mas considere isto: dez minutos por dia, falando sobre Jesus, cinco dias por semana, 40 e poucas semanas por ano, somam cerca de 39 horas. Eu ficaria surpreso se até mesmo a maior “grande conversa” com uma criança durasse uma hora. Portanto, mesmo que você tenha três delas por ano, e faça uso perfeito delas, você ainda teria menos de 10% dos inputs que teria com uma abordagem pequena-e-frequente.

E quando as grandes conversas aparecerem, estaremos prontos para elas, porque já temos os blocos de construção no lugar — um acúmulo de conversas, exemplos e versículos com os quais estamos familiarizados prontos para serem usados como referência. Não necessitamos fixar todas as nossas esperanças nos “grandes saltos”.

A Sabedoria de Deus na Lentidão

O Deus que está cultivando a fé de nossos filhos é o mesmo Deus que cultiva uma sequoia-gigante de 90 metros ao longo de sete séculos, criando algo forte e belo a uma taxa invisível ao olho humano. O mesmo Deus escolheu cavar cânions espetaculares, uma gota de água de cada vez — quando ele poderia tê-los chamado à existência em um instante.

Portanto, talvez não seja nenhuma surpresa que os meios de crescimento espiritual dados por Deus sejam muitas vezes pequenos e nada espetaculares — dez minutos por dia, lendo a Bíblia; um pai comum e inexpressivo conversando com seu filho comum e inexpressivo; pouco a pouco, passo a passo.

Se você já está engajado neste padrão cotidiano de compartilhar as Escrituras com seus filhos, continue! Pode ser que não veja o efeito imediatamente, mas pode orar com confiança que Deus use aqueles momentos pequenos e esquecíveis para fazer coisas grandes e duradouras.

Se você ainda não começou, comece a fazê-lo! Tudo do que necessita é de uma criança, uma Bíblia e fé em um Deus que se deleita em alcançar coisas magníficas de maneiras não espetaculares.

 

Traduzido por Raul Flores

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