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Em um centro de conferências cristão nas montanhas do norte da Eslováquia, membros da equipe recentemente deixaram de hospedar famílias locais para retiros de uma semana a fim de fornecer abrigo de emergência no futuro próximo para refugiados da Ucrânia.

Pavel Sinko é presbítero de uma Igreja Batista na cidade eslovaca de Lucenec e coordenador do centro de conferências em Rackova Dolina por meio de seu trabalho com a organização cristã International Needs [Necessidades Internacionais].

Ultimamente, essas necessidades têm sido abundantes.

Pequena Nação, Abrigo Repentino

Um mês depois da Rússia invadir a Ucrânia, mais de 3,6 milhões de pessoas fugiram do país devastado pela guerra. Outros 6,5 milhões estão deslocados internamente dentro da Ucrânia. Mesmo quando os ucranianos desafiam as tentativas russas de capturar sua capital, as forças russas infligem ataques implacáveis. Na cidade de Mariupol, no sudeste, as autoridades disseram que um bombardeio brutal matou pelo menos 2.000 civis e destruiu 80% das casas.

A maioria dos refugiados que fogem da Ucrânia cruzaram para a Polônia, embora muitos também tenham fugido para as vizinhas Romênia e Moldávia . Mais de 260.000 refugiados cruzaram para a Eslováquia, uma nação de 5,4 milhões de pessoas que de repente se achou inserida no cenário internacional. Quando, por exemplo, o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, visitou a Eslováquia em meados de março, foi a primeira vez que um secretário de defesa americano visitou o país em 20 anos.

No início de março, um menino de 11 anos chamou a atenção mundial depois que chegou à Eslováquia sozinho: o menino havia viajado mais de 600 milhas de sua casa na Ucrânia, enviado por sua mãe viúva que ficou para trás para cuidar de um pai idoso. Ele chegou à fronteira com um saco plástico, um passaporte e um número de telefone escrito em sua mão. “Minha esperança me carregou ao longo do caminho”, ele disse.

Conforme refugiados começaram a fluir para o país, Pavel Sinko e outros em sua igreja começaram a pensar em como ajudar. Um mês depois, o centro de conferências eslovaco está lotado, servindo cerca de 65 refugiados — incluindo refugiados servindo uns aos outros.

Na fase inicial, muitos refugiados passaram pela Eslováquia em direção a outros países, mas Sinko disse que a próxima onda foi diferente. Algumas das famílias que ele encontrou recentemente não tinham para onde ir e precisavam de mais do que simplesmente passar a noite.

O governo eslovaco ofereceu asilo temporário a qualquer pessoa que entre no país vindo da Ucrânia, e as autoridades estão trabalhando para coordenar os arranjos de moradia para recém-chegados. Mas Sinko diz que o processo pode ser lento e as necessidades também transcendem as preocupações materiais.

Lamentando a Perda e Dando Graças

Alguns refugiados precisam de tempo para descansar e processar sua fuga. Outros lutam contra a culpa por tomar um banho quente e dormir em uma cama quente na Eslováquia, enquanto muitos ucranianos ainda estão em casa se abrigando em porões frios e em estações de metrô. Mas a gratidão se mistura com a dor.

Durante uma reunião de oração noturna, Sinko disse que um casal descreveu sua fuga da cidade de Bucha pouco antes do ataque das forças russas. Sem um porão, eles não tinham onde se abrigar. Eles temiam por sua filha deficiente de 13 anos, então decidiram fugir. Dois dias depois, os russos atacaram a cidade. “Nossa filha salvou nossas vidas”, eles disseram.

Outro casal se descreveu como “refugiados duplos” e disse que fugiu de casa pela primeira vez em 2014, quando os russos tomaram conta de partes do leste da Ucrânia. Eles construíram uma nova casa em Irpin, uma cidade agora sitiada pelas forças russas. Um ataque recente destruiu sua casa, mas Sinko disse que o casal expressou paz: “O fato de terem um lar no céu tem um significado forte e mais profundo para eles”.

A maioria dos refugiados que fogem da Ucrânia são mulheres e crianças (autoridades ucranianas impediram homens de 18 a 60 anos de deixar o país), mas alguns dos hóspedes do centro de conferências ilustram exceções que a lei permite: Um viúvo chegou recentemente com suas duas filhas. Um pai adotivo veio com sua esposa e seus nove filhos. Um marido recém-casado confinado a uma cadeira de rodas chegou com a esposa dias após o casamento.

À medida que se ajustam ao deslocamento repentino e à incerteza sobre o futuro, Sinko disse que os refugiados buscam ansiosos servir uns aos outros. Uma enfermeira treinada ajuda com suprimentos médicos, enquanto outros descascam batatas, arrumam mesas e lavam pratos. Duas irmãs de Kiev ajudam a organizar os refugiados no centro e a traduzir quando as barreiras linguísticas dificultam a comunicação.

Sinko espera que esse padrão continue. Uma vez que o centro de conferências está isolado, Sinko e um contato ucraniano estão trabalhando em planos de longo prazo para abrigar refugiados em cidades próximas com acesso a empregos, escolas e transporte. Ele espera que alguns refugiados se tornem coordenadores de ucranianos nas comunidades locais onde se estabelecerem: “O governo ou os indivíduos podem fornecer moradia, mas eles precisarão de ajuda — companheirismo”.

Membros da igreja eslovaca também se ofereceram para abrir suas casas, e Sinko espera que pelo menos 250 famílias batistas de todo o país estejam disponíveis para ajudar. É o tipo de ajuda que os ucranianos podem precisar a longo prazo, e Sinko descreve os cristãos locais como ansiosos para recebê-los.

“Eu digo a eles para estarem prontos”, disse ele. “Estamos apenas no começo”.

Traduzido por Rebeca Falavinha.

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