Como Ser Ímpio ao Buscar a Santificaçāo

Unsplash

É possível adotar boas doutrinas, ter uma boa vida devocional e, ainda assim, ser ímpio? Sim, facilmente. Só é necessário se esquecer de uma coisa básica sobre a santidade.

Deus é o modelo supremo de santidade: “Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo.” (Lv 19.2). Mas o que significa ser santo?

Muitos estudiosos concordam que a santidade se refere a ser distinto, separado, ímpar. Deus é santo porque ele é distinto, separado, ímpar, diferente de qualquer outro ser que existe. De que maneiras específicas é Deus é separado e ímpar? A Bíblia identifica pelo menos três maneiras:

1. O Senhor é santo em seu poder

Frequentemente, a santidade de Deus é mencionada no contexto de algum milagre que deixa claro que ele é ímpar em seu poder. Depois que Deus milagrosamente derrotou a faraó e seu exército, Moisés e os israelitas irromperam em cântico: “Ó SENHOR, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas?” (Ex 15.11). Quando avisou sobre o julgamento milagroso e poderoso a vir sobre o povo rebelde de Sidom, Deus afirmou: “Eis-me contra ti, ó Sidom, e serei glorificado no meio de ti; saberão que eu sou o SENHOR, quando nela executar juízos e nela me santificar.” (Ez 28.22).

Até a famosa visão de Isaías no templo confirma este ponto. Pouco antes de o profeta ouvir os anjos clamarem que Deus é “santo, santo, santo”, lemos: “No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo.” (Is 6.1). Notem que o manto era o símbolo natural do poder e autoridade real. Dizer que as abas da túnica real do Senhor “enchiam o templo” é dizer que era enorme – como vários campos de futebol. E a razão de ser tão enorme é que seu poder e autoridade são tão enormes. Não há rei como Ele.

Quando o Senhor nos ordena a sermos santos como Ele é santo, então, não é este o aspecto de sua santidade que tem em mente. Nós não podemos ser todo-poderosos. Mas há dois outros aspectos de sua santidade que ele espera que incorporemos.

2. O Senhor é santo em sua pureza

Quando a maioria de nós pensa na pureza de Deus, pensamos em sua pureza moral: mal nenhum existe nele. Como declarou Habacuque: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar” (Hc 1.13).

A pureza moral do Senhor é o modelo para o seu povo – e esta deve aparecer de maneiras práticas. Levítico 19 ilustra esse ponto excelentemente. O capítulo começa com Deus dizendo: “Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo.” (19.2). Em seguida, ele passa a identificar muitas formas concretas como essa santidade se manifesta: não segando toda a terra, de modo que os pobres tivessem algo para coletar (19.9-10); não pervertendo a justiça (19.15); não difamando os outros (19.16); honrando os idosos (19.32); e não oprimindo o estrangeiro (19.33). Ao seguir estes mandamentos, o povo de Deus estabeleceria uma sociedade de justiça e bondade, já que eles incorporariam seu caráter reto de maneiras práticas.

3. O Senhor é santo em seu amor

No cerne de Levítico 19 está o comando: “amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Lv 19.18). Um pouco de reflexão nos mostrará que a execução dos comandos do capítulo resulta em atos de amor:

  • Dá-se aos pobres ao invés de se maximizar o lucro pessoal.
  • Recusa-se a perverter a justiça, mas luta-se pelo que é certo e verdadeiro.
  • Fala-se com sinceridade dos outros ao invés de se entregar à tentação de difamá-los.
  • Mostra-se respeito e honra àqueles que também são imagem de Deus à medida em que eles desaceleram e se enfraquecem com a idade.
  • Coloca-se na pele dos estrangeiros e os trata com o mesmo cuidado que o seu próprio povo.
  • Imitar a santidade de Deus significa ser generoso com nosso amor.

Cabeça Grande, Coração Pequeno

Mas este é o aspecto da santidade do qual muitas vezes esquecemos. E quando o esquecemos, torna-se fácil ter conhecimento de todo tipo de doutrina e, no entanto, deixar de demonstrar amor prático àqueles que nos rodeiam.

Para colocar isto como uma pergunta: aqueles que nos conhecem melhor pensam em nós como pessoas que personificam o amor? Seria a palavra “amor” uma das principais palavras que eles usariam para nos descrever? Eles pensam em nós como pacientes, benignos, não ardendo em ciúmes, não nos ufanando, não orgulhosos, não nos conduzindo inconvenientemente, não procurando nossos próprios interesses, não nos exasperando, não nos ressentindo do mal, não nos alegrando com a injustiça, mas regozijando-nos com a verdade, tudo sofrendo, tudo crendo, tudo esperando, tudo suportando – como 1 Coríntios 13 nos ordena? Tais características tipificam nossas vidas?

Se a resposta for não, há apenas uma conclusão: Não somos santos. Pode ser que conheçamos bem as doutrinas, que oremos regularmente, que lemos as Escrituras diariamente, que participemos da ceia semanalmente, que sigamos grande quantidade de mandamentos bíblicos, e ainda assim, se não formos generosos em amor, não seremos santos – porque não somos como Deus. Ele é santo – completamente ímpar – em seu amor. Seu povo necessita ser da mesma maneira.

Esperança Para Pessoas Ímpias

Como podemos mudar? Não tentando fugir de Deus com vergonha e tentando com mais afinco. Mudamos quando nos chegamos a Ele com nossa falta de amor e nos deleitamos em Seu amor, porque Seu amor é transformador. Paulo compreendia isto muito bem:

“Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou. Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós.” (Ef 4.32-5.2a)

Paulo fundamenta o mandamento de incorporar o amor de Deus, no dom gratuito do Filho de Deus. Quando abrimos nossos corações para o amor do Pai por nós em Cristo, ficamos cheios deste amor sagrado – e isto não pode deixar de se transbordar para aqueles que nos rodeiam. Como João escreveu tão simplesmente: “Nós amamos porque ele nos amou primeiro.” (1 João 4.19).

Portanto, se nos falta amor santo, devemos orar por ajuda como fez Paulo:

“Ó Senhor, segundo a riqueza da tua glória, fortalece-me com poder através do teu Espírito no meu ser interior, para que Cristo habite no meu coração pela fé. Conceda-me o poder de compreender, juntamente com todos os seus santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade do amor de Cristo, e conhecer esse amor que excede todo entendimento – para que eu seja tomado de toda a plenitude de Deus!” (Ef 3.16-19)

Esta é uma oração que o Senhor adora responder.

 

 

Traduzido por Felipe Barnabé

CARREGAR MAIS
Loading