Como Conversar com Nossos Filhos Sobre a Homossexualidade

Benjamin Manley - Unsplash

Eu estava na biblioteca pública, olhando rapidamente os livros que meus filhos queriam levar quando vi: My Uncle’s Wedding [O casamento do Meu Tio].

Ei, pequeno livro, eu lembro de você.

Minha filha mais velha, que hoje tem 10 anos, retirou este livro infantil colorido da prateleira da biblioteca quando tinha apenas 4 anos. Há seis anos, “My Uncle’s Wedding” apresentou meus filhos à ideia do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Só que não. Porque, pensando rapidamente, apontei para a janela: “O que é aquilo lá?” E quando quatro cabeças se viraram para olhar, escondi o “My Uncle’s Wedding” na prateleira.

Pare de Mudar o Assunto

Pode ter sido fácil evitar o livro “My Uncle’s Wedding” , mas evitar o tema do casamento entre pessoas do mesmo sexo não é fácil. Minha família mora num bairro que se orgulha de ser o bairro mais progressista da cidade mais progressista do Centro-Oeste, uma área em grande parte conservadora. Desde as placas LGBTQ+ nos jardins do nosso quarteirāo até o casal de lésbicas que vivem na mesma rua, temos oportunidades diárias para aplicar uma estrutura bíblica para o grande tópico da ética sexual.

Exceto que, por anos, eu não o fiz.

Continuei usando “distrair e mudar de assunto” como minha principal estratégia para conversar com meus filhos sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo (isso funcionara tão bem na biblioteca).

Ironicamente, foi Eugene Peterson, depois de uma entrevista em que parecia afirmar o casamento gay, que me deu as palavras para começar a conversar com meus filhos sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo, identidade de gênero e ética sexual.

Em seus comentários subsequentes, nos quais ele retratou suas confusas declarações, Peterson disse: “Eu reafirmo a visão bíblica do casamento. Um homem e uma mulher. Eu reafirmo a visão bíblica de todas as coisas”

Engarrafamento

De todas os temas de nossos dias, o tema que provavelmente faz com que mais pais fiquem com a língua presa para responder às perguntas de seus filhos, é o tema da sexualidade. Receiamos que fiquem confusos se conversarmos sobre isto. É mais provável que eles fiquem mais confusos se não o fizermos.

Receiamos que fiquem confusos se conversarmos sobre isto. É mais provável que eles fiquem mais confusos se não o fizermos.

Como cristãos, não é necessário ficar com a língua presa. Afirmamos a visão bíblica do casamento. Afirmamos a visão bíblica de gênero. Procuramos afirmar a visão bíblica de todas as coisas.

Na semana passada, a caminho da piscina, estávamos passando por uma igreja com um grande mural com as palavras “Orgulho Gay”. O trânsito parou e ficamos lá sentados, os quatro pares de olhinhos observando as imagens coloridas de felizes casais do mesmo sexo. Eu contei: 3-2-1, e aconteceu: “O que é orgulho gay?” A primeira pergunta do público no banco traseiro.

Este tipo de pergunta não precisa ser perturbador para pais cristãos. Cremos que Deus nos deu sua Palavra para nos ajudar a entender seu plano para nossas vidas. Não há nenhum tópico que necessitamos evitar quando temos a Bíblia para nos guiar.

Eu não preciso temer conversar sobre a palavra “gay” mais do que sobre a palavra “orgulho”. Meus filhos podem se identificar com a tentação de abrigar orgulho em nossos corações. E eles compreendem que muitas pessoas, mesmo pessoas na igreja, têm o problema de serem orgulhosas. Tolerar o orgulho em nossos corações não é o melhor plano de Deus para nossas vidas. Escolher uma ligaçāo romântica com alguém do mesmo sexo tampouco o é.

Cada vez que escolhemos um caminho que não é o plano de Deus, seja o caminho do orgulho ou o caminho do comportamento homossexual, perdemos as bênçãos que Deus tem para nós.

Mas e os Vizinhos?

Uma coisa é conversar sobre um mural que celebra uma perspectiva anti-bíblica, mas que deve fazer um pai cristão em relaçāo a pessoas reais? Cada vez mais, nossas vidas estão se cruzando com vizinhos, treinadores, amigos e pastores que escolheram afirmar e praticar o casamento e os relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Como ouvi uma vez, como podemos construir pontes de graça com capacidade para suportar o peso da verdade? Como podemos ajudar nossos filhos a se relacionarem com pessoas que escolheram um caminho que não é o melhor de Deus para eles?

Como ouvi uma vez, como podemos construir pontes de graça com capacidade para suportar o peso da verdade? Como podemos ajudar nossos filhos a se relacionarem com pessoas que escolheram um caminho que não é o melhor de Deus para eles?

A idéia de que as pessoas podem decidir o que é certo e errado por si mesmas, sem absolutos morais e, portanto, sem pecado, contradiz diretamente o evangelho cristão. A Bíblia ensina que todos somos pecadores e necessitamos de salvação por meio de Cristo. Em Gálatas 1.8, Paulo adverte contra os que pregam um evangelho diferente do evangelho somente pela graça, através de Cristo, declarando que eles estão sob a maldição de Deus. A única esperança para qualquer pessoa é Jesus.

Então, se apenas estamos nos perguntando: “Como devo tratar meu vizinho gay?” estamos fazendo a pergunta errada. Como deve um cristão tratar qualquer vizinho incrédulo? Abrimos nossos corações a eles. E muitas vezes abrimos também nossas portas.

Construindo Pontes

Quando éramos novos no nosso bairro, um dos primeiros vizinhos que conhecemos foi um casal de lésbicas.

No passado, eu poderia ter a esperança de que as crianças não notassem que estas mulheres eram mais que colegas de quarto. Mas à medida que nos sentimos à vontade para mergulhar e conversar sobre estas questões em família, já não fico preocupada que desenvolver relacionamentos com amigos LGBT cause confusāo na mente de nossos filhos.

Não podemos evitar o tema de sexualidades alternativas com nossos filhos, mas, felizmente, podemos abordá-lo utilizando a mesma estrutura bíblica que usamos para todo o resto. Ficamos empolgados com a oportunidade de fazê-lo, sabendo que nossos filhos conhecerão pessoas simpáticas e cativantes, que vivem estilos de vida anti-bíblicos. Então, ao invés de fugir destes encontros, começamos a acolhê-los.

Nāo somente nossas vidas se tornam mais abundantes por causa de nossos amigos incrédulos, mas somos capazes de tratar disso tudo com nossos filhos em nossa própria casa, ao invés de deixar que decifrem isto em algum outro lugar. Tal como Rosaria Butterfield enfatiza, quando fala sobre a hospitalidade, podemos aceitar nossos vizinhos LGBT como amigos queridos sem concordar com suas escolhas de estilo de vida.

Podemos realmente aceitar nossos vizinhos sem concordar com suas escolhas? Sim. Damos as boas vindas a nossos vizinhos incrédulos — quaisquer que sejam suas identidades e sexualidade — porque nosso Salvador assim o fez (Lucas 15.2; 1 Pe. 2.21).

Existe lugar melhor do que nossos lares cristāos para que nossos filhos aprendam que amar os perdidos e amar os ​​mandamentos de Deus, sāo duas faces da mesma moeda?


Traduzido por Felipe Barnabé

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