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Pregue (Todo) o Livro de Salmos

Os pastores da nossa igreja estão atualmente pregando todos os 150 salmos, e já ultrapassamos 100 sermões. Alguns pregadores piedosos expressaram preocupação de que pregar todos os salmos poderia ser repetitivo demais ou levar tempo demais. Mas não tenho achado que esse seja o caso.

Depois de pregar a maior parte dessa série de sermões, não estou nem um pouco cansado de Salmos. Eis aqui por que considero tão recompensador pregar todo o Saltério.

1. Salmos é centrado em Deus.

Cada sermão, cada estudo, cada reflexão em Salmos conduz nossa congregação mais profundamente à majestade e à glória de Deus. O livro de Salmos é rico em temas que evidenciam os atributos de Deus — sua santidade, justiça, retidão, misericórdia e amor. Explorar e proclamar a grandeza da majestade de Deus, desvendar a beleza e a glória de sua fidelidade pactual está longe de ser enfadonho. Esse conteúdo centrado em Deus me renova e me ajuda a cultivar uma fé profunda e constante em minha congregação.

2. Salmos combate o individualismo expressivo da nossa cultura.

Algumas semanas atrás, contei a um grupo de pastores que estou pregando todo o Saltério e desfrutando profundamente dessa experiência. Um pastor me perguntou por que eu estava gostando tanto. Minha resposta imediata foi que os salmos arrancam as ervas daninhas do individualismo expressivo e as substituem pelas palavras e ações de Deus, fornecendo instruções claras sobre como nos expressarmos na oração e na adoração comunitárias.

O livro de Salmos nos desloca de nos expressarmos exclusivamente de dentro para fora; em vez disso, ele cultiva emoções moldadas de fora para dentro. Ele oferece um antídoto profundo contra o individualismo e o isolamento que assolam a nossa época. Quando compartilhei isso com aquele pastor, ele disse imediatamente: “Estou convencido; você não precisa me dar mais nenhum motivo”.

3. Salmos é cheio de imagens vívidas.

A poesia rica de Salmos oferece imagens e ilustrações mais poderosas do que eu jamais conseguiria criar. Quando permaneço firmemente ancorado no texto do Saltério, minha pregação é naturalmente elevada. Salmos é cativante e belo; as expressões vívidas e poéticas das emoções capturam a profundidade do coração humano de maneiras que a prosa simples não consegue. Isso acrescenta uma intensidade e uma ressonância únicas a cada mensagem.

Se você quer melhorar sua pregação, pregue Salmos. Você oferecerá à sua igreja algumas das melhores imagens verbais que existem.

4. Salmos é uma sinfonia de cinco livros.

Salmos não é uma coleção aleatória de poemas. É uma sinfonia extraordinária, uma tapeçaria transcendente, um mosaico magistral que narra a ascensão, a queda e a futura glória do rei Davi.

Eu nem sempre li Salmos dessa forma. Lembro-me vagamente de ter ouvido essa ideia no seminário e achei-a intrigante. Mas permaneci cético e via a literatura sobre a organização editorial de Salmos como exemplo de estudiosos bíblicos com tempo demais nas mãos.

Tudo isso mudou quando estudei Salmos para nossa série de sermões atual. Comecei a reconhecer os padrões, a macroestrutura e os movimentos do livro. Abandonei meu ceticismo e abracei plenamente a convicção de que o Espírito Santo guiou a organização do Saltério.

Mesmo quando não consigo compartilhar todas as minhas observações e percepções do púlpito, fico maravilhado com a beleza e o esplendor da Bíblia. Semana após semana, tenho experimentado uma nova alegria e adoração.

5. Salmos oferece pausas naturais.

Outro benefício da estrutura do Saltério é que ela proporciona pausas naturais. Fiz pausas estratégicas depois de pregar os Livros 1, 2 e 3. Após cada um deles, nossa igreja voltou-se para o Novo Testamento para uma série curta de sermões sobre uma epístola (Filipenses, 1 Pedro e 1 João).

Essa rotação tem sido útil e encorajadora tanto para mim quanto para a congregação. Ela trouxe variedade e evitou uma sensação de monotonia. Ela também garante que nossa igreja seja alimentada por um amplo espectro do ensino bíblico, por todo o conselho de Deus. Se você planeja pregar todo o livro de Salmos, recomendo que estude sua organização e depois o divida em séries menores.

6. Salmos oferece oportunidades únicas para pregação compartilhada.

Não fiz toda a série de pregações sozinho. Uma vez que cada salmo pode ser trabalhado de forma independente, pregar o livro oferece à igreja uma oportunidade única de ouvir diferentes pastores, presbíteros e outros homens em treinamento para o ministério. Há dois anos, quando saí para um período sabático de verão, nossa igreja convidou vários pregadores visitantes para dar continuidade à série em Salmos.

Compartilhar a carga do ensino traz variedade e novas perspectivas à congregação, além de evidenciar que a Palavra de Deus é suficiente para edificar sua igreja, independentemente do servo que entrega a mensagem.

7. Salmos torna pregar Cristo tão fácil quanto rebater uma bola de softball.

Salmos é um dos livros mais fáceis do Antigo Testamento para encontrar Cristo. Mesmo que você considere apenas as passagens diretamente citadas no Novo Testamento, não faltarão oportunidades de pregar Cristo a partir de Salmos. O Novo Testamento cita explicitamente o Saltério, com referência a Cristo, dezenas de vezes. Por exemplo, considere as seguintes passagens:

  • Jesus é identificado como o Filho de Deus (Sl 2:7; Hb 1:5; 5:5).
  • Jesus é Aquele que foi feito um pouco menor que os anjos e coroado de glória e honra (Sl 8:5; Hb 2:6–9).
  • Jesus é a razão pela qual há louvor entre os gentios (Sl 18:49; Rm 15:9).
  • Jesus é o Filho sofredor e desamparado de Davi (Sl 22:1; Mt 27:46).
  • Jesus não se envergonha de chamar pecadores como nós de seus irmãos (Sl 22:22; Hb 2:12).

Essa breve lista mal arranha a superfície!

Charles Simeon descreveu os três grandes objetivos de seu ministério de pregação: “Humilhar o pecador, exaltar o Salvador e promover a santidade”. Esses três objetivos são frutos ao alcance da mão quando se prega Salmos. A riqueza abundante e cristocêntrica do Saltério não apenas enriquecerá sua pregação, mas também abençoará profundamente sua congregação.

Traduzido por Rebeca Falavinha.

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