Conheci algumas pessoas que atravessaram os Estados Unidos a pé. Seria fácil para mim começar uma jornada como essa amanhã, mas também desistiria amanhã. Começar é fácil. Perseverar é a parte difícil.
O mesmo se aplica ao ministério pastoral. Estou no ministério há mais de 20 anos. Já me senti desanimado, desapontado e cansado. Já fiquei pesquisando anúncios de emprego, criei cenários na minha cabeça de uma vida diferente e atualizei o meu currículo. Já me senti magoado e me perguntei se não seria melhor seguir em outra direção. Já vi amigos deixarem o ministério e me perguntei se eu era um tolo por continuar.
Se você é um pastor, já passou por isso. Em algum momento, todos nós vamos passar. Para perseverar no ministério, devemos enfrentar as dificuldades com honestidade, ao mesmo tempo em que buscamos os dons divinos da alegria. Não podemos negar os desafios nem ficar tão fixados neles a ponto de desanimar. Mas o que isso implica?
1. Lembre-se que é esperado que o ministério seja difícil.
As expectativas moldam a nossa experiência. Nenhum boxeador desistiria de uma luta no primeiro assalto porque levar um soco machuca. Os boxeadores esperam levar socos, e os pastores devem ter expectativas semelhantes. Pense nas palavras que as Escrituras usam para o ministério: correr (2 Tm 4.7), servir como soldado (2 Tm 2.4), combater (1 Tm 1.18), lutar (Cl 2.1), construir (1 Co 3.9), plantar (1 Co 3.6), trabalhar (1 Co 15.58) e até mesmo morrer (2 Co 4.11-12). O ministério não é descrito como um emprego fácil dos sonhos, que possibilita um ótimo equilíbrio entre vida profissional e pessoal. É difícil.
Todo ministério envolve alegria e tristeza, vitória e derrota, parceria e traição, transformação e apostasia. Como Jesus descreveu na parábola do semeador, quando a Palavra perfeita de Deus é semeada, só é possível ver resultados duradouros em apenas uma pequena porcentagem das pessoas.
Às vezes a fidelidade pode ser frustrante. Trabalharemos arduamente e ainda assim haverá trabalho inacabado. Como dito por Os Guinness: “Os melhores e mais elevados dos nossos esforços humanos geralmente têm uma única palavra escrita em cima deles: incompleto”. Para perseverar, precisamos ter as expectativas certas sobre o trabalho para o qual fomos chamados. Não mascare as dificuldades, não negue os golpes; encare-os com honestidade.
2. Acredite que cada segundo é importante.
Talvez você não tenha problemas em reconhecer a dificuldade do ministério. Talvez você esteja se perguntando se vale a pena. Sem resultados, é difícil perseverar. Pode dar a sensação de que nada muda ou faz diferença. Depois de todos os sermões, reuniões e planos, somos tentados a perguntar: “Qual é o sentido disso?”.
Deus sabe que somos tentados dessa forma, por isso Ele nos lembra: “No Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1 Co 15.58). Cada aula da escola dominical ministrada, cada devocional com os seus filhos, cada oração por um amigo e cada sermão, mesmo que pregado para apenas 50 pessoas, tem valor eterno. Nenhum segundo é desperdiçado.
Jesus venceu e um dia reinará em uma vitória completa. Se estamos com ele, estamos do lado vencedor, e isso significa que tudo o que fazemos importa. Isso pode ter sido difícil para os primeiros cristãos acreditarem quando viam ao seu redor templos enormes dedicados a falsos deuses. Pode ser difícil para você acreditar. Mas onde estão os templos de Roma e da Grécia agora? Eles não passam de museus e ruínas, enquanto o evangelho continua a se espalhar pelo mundo.
Por isso, abraçamos o nosso chamado, administramos os nossos dons e desempenhamos a nossa pequena parte com a alegria de saber que a vitória é certa no time de Deus.
3. Encontre as histórias.
Mesmo se acreditamos que o nosso ministério é importante, ainda é fácil reclamar e ficar insatisfeito. Quais são os problemas da sua igreja neste momento? O que precisa ser corrigido? Quem não está na mesma página? Achamos essas perguntas muito fáceis de responder. Nossas mentes focam e se fixam rapidamente no que está errado.
Há uma cena na série sobre a II Guerra Mundial “Irmãos de Guerra” (Band of Brothers) em que, depois de anos testemunhando a carnificina da guerra, os soldados ficam cansados e cínicos. Então, eles encontram um campo de concentração e libertam os prisioneiros. O grupo percebe para que serviu toda a dificuldade. O episódio se chama “Por isso nós lutamos” (Why we fight). Para perseverar, precisamos da alegria que vem de sermos lembrados do porquê. Precisamos ver onde Deus está libertando cativos e trazendo transformação.
O apóstolo João diz: “Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade” (3 Jo 4). Saiba que Jesus está ativo na sua igreja; o Espírito Santo está transformando pessoas; peça a Deus para aumentar a sua alegria mostrando-lhe onde. Na minha igreja, normalmente abrimos as nossas reuniões de liderança e de membros pedindo às pessoas que compartilhem onde viram Deus trabalhando na nossa igreja e através dela. Ouvir os testemunhos da obra de Deus nos enche de alegria e nos estimula.
4. Divirta-se com os seus amigos.
Os pastores precisam de momentos que não sejam focados no ministério. Paulo frequentemente escreve sobre amigos que o revigoravam (por exemplo, 1 Co 16.17-18; Rm 15.32). Os pastores podem facilmente esquecer que uma das maneiras pelas quais Deus tem a intenção de sustentá-los é por meio das alegrias da amizade.
Recentemente, passei algumas horas jogando boliche e fliperama com alguns amigos. Naquele momento, precisávamos mais de um tempo para nos divertir do que de mais uma conferência, podcast ou conversa sobre o ministério. Alguns dos meus momentos favoritos no ministério foram sentados ao redor da fogueira, rindo até tarde da noite com amigos, enquanto tirávamos sarro uns dos outros, compartilhávamos vídeos engraçados e memes que vimos online e contávamos histórias em que podíamos rir das dificuldades do ministério. Nesses mesmos círculos expusemos nossas almas, oramos por cura e encorajamos uns aos outros em meio a fracassos e pecados. Mas se tudo fosse sempre sombrio, não continuaríamos a voltar.
Às vezes, o que mais precisamos para perseverar no ministério é fazer uma viagem às montanhas ou, como Jesus, sair em um barco com os nossos amigos. Às vezes, o que mais nos sustenta é simplesmente ir a uma festa para comer, rir e contar histórias.
5. Afaste-se para estar com Deus.
Mesmo com os melhores amigos, com as expectativas certas e com um ministério frutífero, não vamos durar se não estivermos conectados com Deus. Porém, muitos pastores acham mais fácil fazer a obra do Senhor do que estar na presença do Senhor. Achamos mais fácil ensinar sobre o Senhor do que ouvi-lo. Achamos mais fácil viver como soldados do que como filhos.
Não resistiremos sem a força que vem de permanecer com Jesus. Paulo nos conta o seu segredo para a perseverança no ministério: “tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4.13). Deus nos fortalece quando derramamos o nosso coração a Ele em oração e quando ouvimos a Sua voz na Sua Palavra. É então que a alegria do Senhor é a nossa força.
Antes de ir para a cruz, Jesus orou no jardim. O seu padrão era que, no meio da ocupação dos seus compromissos ministeriais, ele “se retirava para lugares solitários e orava” (Lc 5.16). Quanto mais nós precisamos fazer o mesmo?
Pastor, o ministério é difícil. Está tudo bem em admitir isso, mas não desista, não abandone, não saia. Você começou e pode terminar, Deus irá fortalecê-lo e capacitá-lo. Receba as alegrias que Ele dá e persevere (2 Tm 2.10).
Traduzido por David B. Bondarenco