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O que aconteceu entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento?

A história bíblica está dividida em dois grandes períodos, que são o Antigo Testamento (AT) e o Novo Testamento (NT). No entanto, há um período entre os dois testamentos que não é narrado por eles, mas está profetizado no AT e é mencionado no Novo. Alguns chamaram esse período de “400 anos de silêncio” [1].

Este foi um tempo de muitas mudanças políticas, religiosas, culturais e literárias. Para tornar a descrição histórica deste período mais fácil e ordenada, vou dividi-lo em quatro pontos definidos pelas cinco nações mais poderosas que se levantaram após a queda de Jerusalém pelas mãos da Babilônia. Abaixo descreverei os eventos mais marcantes durante cada império.

1) O Império da Babilônia (620 – 539 a. C.)

Nabucodonosor sobe ao poder, derrota o império Assírio, e conduz o primeiro grupo de judeus para o exílio (605 a. C.). Entre eles estavam Daniel e seus amigos (Daniel 1:1 -7).
Nabucodonosor cercou Jerusalém por dois anos e destruiu o templo de Salomão (586 a.C.). Aqui começa o exílio de 70 anos na Babilônia.
Acredita-se que durante o exílio na Babilônia surgiram as sinagogas.
O Império Medo-Persa se ergue contra a Babilônia (539 a.C.; Daniel 5:25 -31).

2) O Império Medo-Persa (539 — 313 a. C.)

O império persa surge com Ciro, também conhecido como Dario. Média, o império menor, apoia a Pérsia (539 a.C.).
Ciro permite que os judeus voltem a Israel: primeiro com Zorobabel, depois com Neemias e, finalmente, com Esdras.
O templo é reconstruído em 515 a. C., e é chamado “Templo de Esdras”. Coincide com o retorno dos judeus.
Malaquias ministra aos exilados que retornaram (430 a.C.).
Filipe da Macedônia se levanta e conquista a Grécia (359 a.C.). Seu filho, Alexandre, o Grande, o sucede e se torna rei supremo.
Alexandre, o Grande, começa a reinar e conquista a Pérsia (336 a. C). Seu mestre era Aristóteles, o famoso filósofo grego.

3) O Império Grego (331 — 164 a. C.)

Alexandre morre aos 32 anos de idade na Babilônia e seu reino é dividido em quatro partes (323 a. C.).
O Cânon do Antigo Testamento é completado e aceito (300 a.C.).
Ptolomeu Filadelfo, em Alexandria, promove a tradução da Bíblia hebraica para o grego, criando a Septuaginta (LXX) (285 ou 250 a.C.).
Conclusão da literatura apócrifa.
Antíoco Epifânio IV entra no templo em Jerusalém e sacrifica um porco (167 a. C.). A Bíblia chama esse episódio de “a abominação desoladora”.

4) O Império Romano (146 a.C.)

Fundação de Roma (146 a.C.)
.O período Macabeu começa (167 — 40 a C.).
Revolta dos Macabeus (166 a. C.).
Pompeu conquista Jerusalém (63 a. C.).
O império romano começa com o assassinato de Augusto (Júlio) César. Marco Antonio o sucede durante pouco tempo (40 a. C.).
Herodes, o Grande (quem tentou matar Jesus) adquire poder para governar Jerusalém através de Marco Aurélio (40 a. C).
Reconstrução e expansão do Templo de Esdras (Segundo Templo), por Herodes, o Grande. Este templo seria destruído em 70 d. C.
Nascimento de Cristo (5 a. C.). A defasagem no ano é devido a que Dionísio, um historiador romano, “desatualizou” cinco anos no calendário de eventos que lhe foi solicitado.

A importância deste período

Durante estes chamados “anos de silêncio” muitas mudanças ocorreram. Embora não tenhamos registros bíblicos de todos elas, essas mudanças estabelecem o palco para a chegada do Messias, etapa decisiva na história da redenção. O momento culminante para o cumprimento das promessas messiânicas contidas no Antigo Testamento estava prestes a chegar.

Este período nos lembra que Deus usa elementos impensáveis para o cumprimento de seus planos eternos. Ele usou pessoas como Nabucodonosor para julgar seu povo por idolatria; ele usou Artaxerxes para que a reconstrução do templo de Jerusalém pudesse ocorrer; ele usou Ciro para liderar os judeus a adorar novamente em Israel. Deus usa quem deseja de maneiras impensáveis para cumprir seus planos perfeitos.

Neste período, o lugar da sinagoga na vida das pessoas também é priorizado e o monoteísmo é consolidado. Os escribas e rabinos têm um lugar preponderante paralelo ao sacerdócio do templo de Jerusalém. O judaísmo torna-se um caldeirão de múltiplas correntes e seitas: fariseus, saduceus, essênios, helenistas, etc.

O palco estava pronto para dar entrada ao protagonista do evento mais importante na história da humanidade: a chegada do Messias. Não percamos detalhes do que Deus faz na história porque somos parte dela como igreja. Nosso trabalho, nas palavras de Karl Barth, é dar a conhecer a maneira como Deus trabalhou entre os tempos.

Traduzido por Lea Meirelles.

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