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As Marcas Essenciais de um Pregador

“E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10.14). Com inquestionável lógica, o Apóstolo Paulo estabelece o elo humano indispensável para o cumprimento da Grande Comissão, a pregação do evangelho de Jesus Cristo. Ao fazê-lo, ele nos instruí no caminho do reino, que em cada geração, Deus está a chamar pregadores para servir Sua igreja.

A perene questão de Paulo é especialmente relevante para a igreja do século XXI. As igrejas evangélicas estão em meio a uma enorme transição geracional, com pastorados vagos e púlpitos vazios por todas as partes.

Púlpitos vagos não devem causar ansiedade. Cristo está a construir a sua igreja. Ele não espera por voluntários ministeriais; Ele soberanamente separa pastores para servir a sua Igreja e pregar o seu evangelho.

De qualquer das formas, a igreja deve chamar os que foram chamados, e todo homem de Deus qualificado deve considerar se Deus o está chamando para o ministério pastoral.

Como pode-se saber se Deus o está chamando para o ministério? Há quatro marcas essenciais.

Um desejo ardente

O principal indicador de um chamado para o ministério, é um desejo ardente para o trabalho. Em 1 Timóteo 3, Paulo começa a lista de qualificações para o ministério, afirmando: “Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra deseja.” Na verdade, Paulo testemunhou que ele ministrava por “imposição da obrigação,” por receio do julgamento de Deus, se não pregasse.

Em seu livro Lições aos Meus Alunos, Charles Spurgeon argumentou, “O primeiro sinal da vocação celestial, é um desejo completamente absorvente e intenso para o trabalho. Para ser um verdadeiro chamado para o ministério, deve haver um desejo esmagador e irresistível e uma sede muito intensa de contar aos outros o que Deus tem feito em nossa própria alma”.

Aqueles que foram mais usados por Deus carregaram este peso da alma. Homens tais como Jonathan Edwards, George Whitefield, e Spurgeon, possuíam esta compulsão interior, que como um poço artesiano, continuamente derramava poder e urgência em seus ministérios.

O pregador pode não sentir a cada domingo, o que Richard Baxter sentiu quando ele famosamente decidiu “pregar como um homem morrendo, para homens morrendo; como quem não sabe se irá pregar novamente”. Mas aquele que é chamado de Deus conhece um desejo constante, permanente para o trabalho do ministério.

Uma Vida Santa

1 Timóteo 3.1-7 oferece uma lista clara e inegociável das qualificações de caráter para o ministério. Esta lista é prescritiva, não descritiva; é reguladora, não sugestiva. Em resumo, o ministro de Deus tem de ser irrepreensível.

Antes de uma igreja avaliar o dom ou talento de um candidato pastoral, deve primeiro avaliar o seu caráter. Com certeza, para um homem que aspira ao ministério, pode ajudar ser cativante, ser eloquente, ou possuir uma personalidade magnética. No entanto, antes de se olhar para estas habilidades secundárias e terciárias, é preciso primeiro certificar-se das qualificações de 1 Timóteo 3.

Além disso, as qualificações de 1 Timóteo 3 não representam simplesmente um requisito para uma só vez. Pelo contrário, elas são um estilo de vida a ser mantido, um caráter a ser cultivado, e uma prestação de contas constante para com a Palavra de Deus e o povo de Deus. O chamado para o ministério de uma pessoa está indissoluvelmente ligado ao seu caráter bíblico. Os dois não podem, nem devem, ser separados

Uma Vontade Subjugada

O apóstolo Paulo foi separado desde o ventre de sua mãe e testemunhou que ele foi “constituído ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida.” (Colossenses 1.25). Paulo escolheu pregar, porque Deus o escolheu para pregar. Cada chamado para pregar origina no céu. A nossa resposta é a rendição total.

Na realidade, “render-se ao ministério” costumava ser linguagem comum nas igrejas evangélicas. Faríamos bem em recuperar essa frase, porque é assim que se entra no ministério, através da rendição. O chamado de Deus para o ministério vem com a expectativa de que você irá para quando e onde ele o chamar. Seus ministros são Seus agentes, destacados para o serviço de acordo com o Seu plano providencial.

Capacidade para Ensinar

Finalmente, aquele que é chamado para o ministério deve ser capaz de ensinar a Palavra de Deus. Em 1 Timóteo 3, esta é a qualificação que distingue entre o trabalho de diáconos e o de presbíteros. Há milhares de maneiras para um ministro servir a igreja, mas há uma responsabilidade indispensável e inegociável, a de pregar e ensinar a Palavra de Deus.

Você se sente realizado na preparação e apresentação de sermões? O povo de Deus se beneficia por seu ministrar da Palavra? A sua igreja constata o seu dom e assevera sua capacidade de pregar ou ensinar sobre Deus?

Conclusão

Qualquer homem pode escolher o ministério, e muitos homens inaptos o fizeram. Apenas uns poucos são chamados por Deus. Discernir entre o ser chamado por homens e o chamado de Deus é urgentemente importante.

Se Deus o está chamando para ser Seu servo, então entenda, nas palavras de Martyn Lloyd-Jones, “o ato de pregar é a maior, mais grandiosa e mais gloriosa vocação a que alguém pode ser chamado.” Se Deus te chamou para ser Seu pastor, nunca se rebaixe para ser um rei de homens.

Nota: Este artigo foi originalmente publicado em Ligonier.org.

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