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A União com Cristo Preenche Nossos Anseios Mais Profundos

Quando anunciei que estava escrevendo um livro sobre a união com Cristo, um amigo me mandou uma mensagem e disse: “Eu também!”. Dois anos depois, não apenas lançamos livros sobre o assunto (Home with God: Our Union with Christ [Lar com Deus: Nossa União com Cristo] e One with My Lord [Um com Meu Senhor]), mas outros serão lançados no próximo ano.

Esta não é uma doutrina nova. Ela é profundamente bíblica e tem sido ensinada pelos principais teólogos ao longo da história da igreja. A união com Cristo não é novidade; é uma verdade antiga que está sendo redescoberta.

A união com Cristo é a identificação, incorporação e participação do crente na vida de Cristo. Em Cristo residem todas as bênçãos e benefícios da salvação. Em termos práticos, a união com Cristo é o nosso lar com Deus. Embora a doutrina esteja presente em toda a Escritura, ela se destaca nas preposições do Novo Testamento, especialmente nas cartas de Paulo, quando ele utiliza expressões como “em Cristo”, “com Cristo” e “por meio de Cristo”.

Logo nos três primeiros capítulos de Efésios, observamos mais de 30 menções à união com Cristo. Abaixo estão alguns exemplos:

  • Deus nos abençoou em Cristo (1:3)
  • Deus nos escolheu nele (1:4)
  • Somos predestinados para adoção por meio de Jesus Cristo (1:5)
  • Somos abençoados no Amado (1:6)
  • Nele temos a redenção, pelo seu sangue (1:7)
  • Na plenitude dos tempos, todas as coisas convergirão nele (1:10)
  • Fomos vivificados juntamente com Cristo (2:5)

Uma vez que percebemos a união com Cristo no Novo Testamento, ela fica evidente ao longo de toda a história das Escrituras. Isso é bom, pois aborda questões centrais sobre nossa identidade, nosso pertencimento e nosso propósito.

Identidade: Quem sou eu?

Em Cristo, nos vemos claramente.

Vivemos numa era de confusão de identidade. Contudo, contrariamente ao que poderíamos pensar, essa confusão não é fundamentalmente uma imposição cultural; é uma realidade teológica. O pecado fraturou nossa comunhão com Deus, com o eu, uns com os outros e com a ordem criada. Posteriormente, nascemos neste mundo sem saber quem somos, mas com um desejo profundo de nos tornarmos algo.

Muitos parecem acreditar que a solução para essa confusão de identidade dependerá dos nossos esforços. No entanto, não resolveremos o problema de uma identidade fraturada ao construí-la sozinhos. Babel nos mostra o que ocorre quando tentamos construir um grande nome para nós mesmos: ficamos exaustos, confusos e dispersos.

A união com Cristo oferece uma âncora segura e estável para a nossa identidade. Quem somos? Em Cristo, somos filhos justos e amados do Pai, porque estamos nele, o Filho justo e amado. Em Cristo, nossas diferenças não precisam ser deificadas nem negadas; elas são dignas de respeito. Em Cristo, podemos abandonar a ilusão de tentar “hackear” nossa identidade e receber uma nova identidade nele.

Pertencimento: Quem somos?

Em Cristo, somos recebidos na família de Deus.

As pessoas no Ocidente global estão cada vez mais ansiosas, solitárias e desanimadas. O espírito do individualismo expressivo continua vivo e próspero, colhendo frutos podres. Pertencer à família de Deus ajuda a lidar com a epidemia de solidão em nossa cultura.

Fomos criados para a comunhão, destinados a viver em comunhão com Deus e com seu povo. O Deus Triúno nos criou a partir do transbordar deliberado de sua própria comunhão, amor eterno e deleitante. A salvação consiste em perdão, comunhão, absolvição, adoção, justiça e relacionamento. Em Cristo, não somos apenas perdoados pelo Deus santo — somos convidados à mesa do Pai deleitoso. Somos filhos de Deus e membros de sua família (a igreja) em Cristo.

Cristo não apenas transforma cada um de nós em uma nova pessoa; Ele nos acolhe em um novo povo. A união com Cristo é a base não apenas de nossa doutrina da salvação, mas também de nossa doutrina da igreja. Quando a igreja se reúne para a adoração semanal, nossa comunhão uns com os outros é um lembrete da comunhão que temos com Deus. Enquanto adoramos, lado a lado, por baixo de tudo ressoa um sussurro: “Por mais próximo que eu esteja do homem ou da mulher ao meu lado, Cristo está ainda mais perto”. Em Cristo, recebemos um “novo nós”. E esse novo povo é marcado por um novo modo de viver.

Propósito: Como viver?

Em Cristo, somos convidados a participar do mundo de Deus à maneira de Deus. A união com Cristo é um convite à participação real e contínua na história de Deus. Em Cristo, “vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17:28).

Ao sermos recebidos, em Cristo, na comunhão com Deus, nos tornamos livres para obedecer a Deus, confiantes de que o resultado de nossas vidas já foi revelado. Deus não mudará de ideia sobre nós; não existe uma versão futura de nós que Ele ame mais. O apóstolo Paulo pergunta: “Que diremos, então? Continuaremos no pecado, para que a graça aumente ainda mais? De modo nenhum!” (Rm 6.1). Ele fundamenta sua exortação à igreja na certeza de que “a nossa velha natureza foi crucificada com ele [Jesus] para que o corpo do pecado seja destruído, e não sejamos mais escravos do pecado” (v. 6). A união com Cristo é o solo fértil para a obediência, adoração e missão.

Após ter recebido essa união inquebrável, firme e imutável com Cristo, todos os que nele permanecem já estão livres para buscar a obediência ao melhor caminho de Deus em tudo, cientes de que não podem perder aquilo que Deus declarou ser deles para sempre em Cristo Jesus. Um “novo caminho” torna-se nosso por meio da união com Cristo.

União singular

Essa é a singularidade da união com Cristo: é um presente. O que é verdade sobre Cristo, por natureza, é concedido a todos que depositam nele a sua fé pela graça. O que jamais poderíamos obter por meio de nossa coragem, Deus nos concede como presente. Presente pelo qual não precisamos sair à procura; o próprio Deus nos convida para que o recebamos. Em Cristo Jesus, somos convidados para viver em casa com Deus.

Estamos testemunhando um interesse renovado pela doutrina da união com Cristo, pois ela satisfaz nossos anseios mais profundos. Desejamos receber um nome amado, pertencer a um povo e ter uma compreensão clara de nosso propósito. O mundo ao nosso redor está saturado de desarmonias nessas três questões, e pessoas, dentro e fora da igreja, estão procurando ajuda. O mundo anseia por um lar onde as palavras “amado”, “família” e “significado” estejam enraizadas em algo mais profundo do que clichês.

Em Cristo, o mundo – e nós mesmos – podemos encontrar tudo o que desejamos.

 

Traduzido por Claudio Lopes Chagas

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