Lutando para Dizer “Sim” Quando Deus Diz “Não”

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Nota do Editor: 

Este é um trecho adaptado do novo livro de Ann Swindell, Still Waiting: Hope for When God Doesn’t Give You What You Want [Ainda na Espera: Esperança para Quando Deus Não Nos Dá o Que Desejamos] (Tyndale, 2017).

Deus nem sempre concede cura e plenitude nesta vida; uma realidade dolorosa que veio à tona para mim quando eu estava na faculdade. Eu contendi com a informação de que Deus poderia me curar instantaneamente — uma coisa pequena para ele, com certeza — e a realidade de que ele não o fez.

Quando cheguei à faculdade, eu já estava sofrendo de tricotilomania — uma condição que faz a pessoa arrancar pelos e cabelo — há uma década. Eu arrancava meus cílios e sobrancelhas todos os dias, por mais que eu odiasse isto e desejasse parar. Neurologicamente, meu cérebro não conseguia controlar a si mesmo, e isto significava que eu não poderia me curar. Por causa do “não” que recebia em resposta às minhas orações por cura, Deus parecia estar em silêncio e distante.

Um dia, ao sentir minha frustração crescente com Deus, fui à capela de oração. Derramei palavras furiosas e precipitadas nas páginas do meu diário com traços escuros de tinta. Eu disse a Deus que ele me parecia mau, frio, distante e impossível de se lidar. Sentei-me lá com cílios espalhados pelas páginas — envergonhada por eles não mais estarem onde deveriam estar.

As lágrimas que derramei não eram novas, mas me pareceram surpreendentemente renovadas. “Continuo fazendo esta pergunta, Deus,” Clamei. “Por quê? Por que você não me cura? Minhas horas de oração e súplica, até mesmo meus dias de jejum — para que serviram? Alguma coisa?”

Eu respondi por mim mesma: “Para nada. Não haviam servido para nada! Estou pior do que nunca.”

Eu queria afastá-lo — este Deus que está em todos os lugares — e eu desejava fugir dele. Comecei a entender como as pessoas se tornam amargas, como as sementes da raiva se transformam em raízes profundas de desconfiança. Não me orgulho de minha amargura ou das maneiras que lutei contra Deus. Mas é a verdade: eu estava irada. Na verdade, estava ofendida.

Escolhendo a Ofensa

Quando imploramos e invocamos a Deus, e ainda assim ele não muda nossa situação, temos uma alternativa: podemos ofendê-lo ou obedecê-lo. A ofensa nos coloca como juízes no tribunal. Declaramos o que Deus deveria fazer e como ele deveria agir. Ficamos ofendidos quando ele não segue nosso plano. Nós apontamos nosso dedo e dizemos que ele está errado.

Embora seja bom ser honesto com Deus, há uma diferença clara entre a honestidade sincera e a honestidade hostil. A honestidade sincera se chega a Deus de joelhos, clamando com humildade e confiança. A honestidade hostil se chega a Deus apontando o dedo. Quando nossa honestidade se torna hostil, nos tornamos amargos. Nós o julgamos e fugimos dele. Ao fazer isto, rejeitamos a fonte de conforto da qual desesperadamente necessitamos.

Escolhendo a Obediência

A segunda alternativa que temos é a obediência. Dizemos sim a Deus, mesmo quando não o compreendemos. Esta opção nos parece mais difícil a curto prazo, porém é a única existente, se desejamos continuar a andar com Cristo.

Em sua misericórdia, Deus me livrou do penhasco da ofensa orgulhosa. Através de pequenos passos de obediência, ele me fez recordar de sua verdade e bondade. Ele amaciou meu coração de duas formas. O primeiro meio foi através de uma mulher chamada Nita, a esposa de um dos meus professores. Nos encontrávamos duas vezes por mês para conversar sobre minha caminhada com o Senhor, estudar a Palavra e orar.

Enquanto conversávamos uma tarde, minhas palavras vieram à tona. Minha raiva, frustração e mágoa borbulharam e comecei a chorar na mesa da cozinha. O que mais me recordo não é o que Nita disse, mas o que ela fez. Ela colocou a mão sobre a minha e chorou comigo. Ela não me condenou ou me corrigiu na hora. Sua mão e seu silêncio me disseram que me era permitido sentir tais emoções. Ela não buscou me colocar em outro lugar diferente daquele onde eu estava.

Quando ela falou, sua voz foi como um violino, oscilando de emoção, mas cheia de profunda convicção. “Ann, nem sempre entendemos o que Deus faz ou deixa de fazer, mas sempre sabemos — sempre sabemos — que ele nos ama.

“É isso que faz com que o ‘não‘ seja ainda mais difícil de ouvir às vezes”, eu disse. “Porque não consigo entender porque essa é a sua resposta. É difícil para mim conciliar Seu amor com o ‘não'”.

“Eu entendo, Ann. Realmente entendo.”

Lembrei-me das perdas que Nita havia sofrido, das tristezas pelas quais havia passado e compreendi que ela me entendia. Seus olhos ficaram úmidos e ela respirou fundo antes de falar novamente. “Quem nos separará do amor de Cristo?” (Rm 8.35).

Eu balancei a cabeça. “Nada, Nita.” Minha voz era um sussurro. “Nada nem ninguém.” Nem mesmo um “não”. A bondade de Nita e a verdade me abençoaram. Ela me conduziu à Palavra e me ofereceu compaixão. Naquele dia, através dela, Deus começou a curar minha mágoa e frustração.

A cura e o abrandamento continuaram na medida em que eu, obedientemente, lia a Palavra e passava tempo em oração. Ao me encontrar com Cristo, não podia endurecer meu coração contra ele. Ao ler as histórias de homens e mulheres na Bíblia que esperaram e confiaram, passei a confiar na soberania de Deus sobre minha vida, mesmo quando não a entendia. E à medida em que derramava meu coração diante dele em oração honesta e humilde, passei a vivenciar seu conforto e amor.

Melhor do que a Cura

Em meus pequenos passos de obediência para com Deus, ele me afastou da ofensa. Ele me mostrou que tudo do que realmente necessito é de Jesus. Afastar-e ofendida é mais devastador do que continuar a lidar com qualquer doença ou condição indesejada.

Posso não ter recebido a cura, mas tenho a Cristo. Ele é mais do que suficiente para mim.

 

Traduzido por Vittor Rocha

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