Eu admito: não gosto de esperar.
“E alguém gosta?”, você poderia perguntar. Você provavelmente estaria certo, principalmente em nossa sociedade de ritmo acelerado, repleta de notificações imediatas de aplicativos e incentivos financeiros de restaurantes e lojas para encurtar nossos tempos de espera. Um desprezo por qualquer tipo de demora parece normal — e é até mesmo incentivado.
No entanto, minha luta com a espera parece ser algo automático dentro de mim. Minha personalidade é voltada a realizar tarefas, e eu amo a sensação de ver uma lista de afazeres concluída. Sou predisposto à ação.
Não esperar está até mesmo no meu sobrenome. “Vroegop” é holandês. Muitos sobrenomes do povo dos tamancos de madeira têm um significado prático: “Shoemaker” (fazedor de sapatos), Bakker (padeiro), DeYoung (o jovem), Meijer (mordomo) e Vander Molen (do moinho). Vroegop significa literalmente “levantar cedo”. Me faz sorrir. Meus antepassados poderiam ter escolhido entre muitos sobrenomes, e decidiram identificar nossa família como aqueles que levantam cedo, madrugadores — Mark Madrugador. Nós não esperamos para começar nosso dia.
Infelizmente, o ministério pastoral piorou minha inclinação anti-espera. Eu era atraído por versículos sobre mordomia e chamado. Quando li o livro de John Piper, “Não Jogue Sua Vida Fora”, fui cativado por uma visão apaixonada de fazer com que minha vida fosse relevante para a glória de Deus. Mas no processo de não desperdiçar minha vida, eu estava desperdiçando minha espera.
Os últimos anos trouxeram à superfície uma deficiência gritante na maneira como eu pensava e praticava a espera. No desespero, explorei o que a Bíblia diz sobre a espera, especialmente o mandamento de “esperar no Senhor”. Embora ainda tenha um longo caminho à minha frente, tenho descoberto como viver baseado naquilo que sei ser verdadeiro sobre Deus quando não sei o que é verdadeiro sobre a minha vida.
Pela graça de Deus, tenho visto que esperar não é um desperdício. Aqui estão quatro princípios para se manter em mente quando os vácuos—aqueles momentos em que temos que esperar por respostas de oração ou por outras pessoas—aparecem em nossa vida.
1. Aceite a tensão.
Esperar não é confortável. Os vácuos da vida desafiam nosso desejo por controle. Possivelmente, é por isso que esperar é algo universalmente desprezado. Incerteza, atrasos, decepções, dor e sensação de impotência criam tensão.
Uma das palavras hebraicas para “espera” expressa isso. Qavah combina tensão com um senso de expectativa e antecipação. As origens da palavra estão ligadas a torcer e esticar um cordão: tensão é parte do que significa esperar.
Muitos de nós se surpreendem com a tensão da espera. O desconforto faz parecer que algo está errado. Perdemos muito da espera porque resistimos ou nos ressentimos com a sensação de impotência. Sendo assim, o primeiro passo é aceitar—e até mesmo normalizar—esse sentimento conflitante. Em vez de ficarmos alarmados, intensificando nossas emoções ou resistindo aos sentimentos, nos é útil entender a tensão como uma parte normal da espera.
2. Evite as brechas.
Frequentemente desperdiçamos nossa espera por meio de reações dispensáveis ou pecaminosas. Nossa falta de controle pode criar uma reação impulsiva. O forte desejo por mudança leva a diversas brechas:
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Ira: A espera e a ira caminham juntas. Às vezes, a ira é demonstrada em uma explosão óbvia, mas em outras, ela toma a forma de uma frustração mesquinha. A ira pecaminosa é nossa tentativa de retomar o controle por meio de uma atitude imprudente. Esperar nos deixa vulneráveis, e, irados, podemos tentar preencher o vazio da vulnerabilidade, forçando uma mudança—independente das consequências.
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Ansiedade: Enquanto a ira parte para a ação, a ansiedade se dedica ao pensamento excessivo. Em vez de explodirmos, nos voltamos para dentro em uma agitação mental e emocional exaustiva e debilitante. Tentamos pensar até encontrarmos uma saída para nossas limitações.
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Apatia: A ira requer mudanças. A ansiedade quer pensar. A apatia deixa de se importar. Ela reage às decepções, atrasos e sonhos frustrados com a postura auto-protetora que diz “eu não me importo mais”.
Conhecer antecipadamente essas brechas nos ajuda a evitar nossas reações demasiadamente comuns à frustração da espera e nos impede de desperdiçar estes períodos.
3. Dê nome às suas expectativas.
Gosto muito de ler o Salmo 40:1 na versão A Mensagem: “Eu esperei, esperei e esperei pelo Eterno”. A maioria das traduções traz “Esperei confiantemente [ou com paciência] pelo Senhor”. Mas a palavra “paciência” não está presente no texto em hebraico do Salmo 40. A palavra para “esperar” (qavah) simplesmente se repete, o que acho bastante relevante.
Pense em esperar pacientemente simplesmente como uma espera em dobro ou esperar por mais tempo do que imaginava. É difícil; no fundo da minha mente, tenho uma expectativa de quanto tempo algo deve durar. Quando minhas expectativas se chocam com a minha experiência, esperar se torna um problema.
Uma solução é dar nome às nossas expectativas. Podemos chamar à atenção especificamente ao que talvez nem percebamos que está nos causando uma reação emocional: “Eu esperava que . . . ”. Isso nos permite avaliar se nossas suposições são razoáveis e a colocar nosso momento de espera no contexto correto. E dar nome às nossas expectativas nos ajuda ainda mais ao nos capacitar a submetê-las ao Senhor.
4. Ajuste o foco do seu coração.
Nossa dificuldade com a espera frequentemente envolve focarmos naquilo que não sabemos. Nossa falta de controle, sensação de incerteza e desconforto interno podem virar uma fixação.
O Salmo 27 termina com um mandamento “Espera pelo Senhor, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração” (v. 14). Mas o Salmo começa com o foco em quem o Senhor é: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O Senhor é a fortaleza da minha vida; a quem temerei?” (v.1). É esclarecedor que o salmista traga à mente o que ele sabe ser verdade sobre Deus. A espera realça o que não sabemos, mas nós sabemos quem Deus é. A Bíblia nos revela isso.
Esperar em Deus significa aprender a viver a partir do que eu sei ser verdade sobre Deus quando eu não sei o que é verdadeiro sobre a minha vida. Significa focar meu coração em quem Deus é, em seus atributos, no porquê ele é digno de confiança—mesmo nas incertezas cheias de tensão da vida. Criei uma lista de versículos que dizem “O Senhor é . . . “ que me ajudam a esperar.
Não sei se chegarei a gostar de esperar. A tensão é desconfortável. Sinceramente, eu preferiria ter soluções rápidas e respostas fáceis. Mas quanto mais estudo o que significa esperar em Deus, mais eu vejo o valor desses momentos de vácuo. Eles trazem uma oportunidade de renovar minha confiança em um Deus que me ama e que cuida de mim, cujos caminhos são sempre bons.
Enquanto espero, posso focar em sua fidelidade, não no intervalo de tempo que julgo ser ideal. A espera pode não ser fácil, mas não a tenho desperdiçado tanto quanto costumava desperdiçar. O Sr. Madrugador está aprendendo que a espera é muito mais valiosa do que imaginava.
Traduzido por Caroline Ferraz.