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Cinco Lições para Novos Plantadores de Igrejas

Muitas igrejas plantadas enfrentam obstáculos que parecem impossíveis. Nossa igreja, Trinity Baptist em Chapel Hill, na Carolina do Norte (EUA), tem apenas algumas semanas de existência, mas ao longo de meses, enquanto nos preparávamos para começar, o Senhor nos manteve em oração e na busca por um local para nos reunirmos. Tínhamos muitas pessoas dispostas a firmar um pacto juntos. A captação de recursos foi encorajadora. Mas nossa perspectiva de encontrar um espaço para se reunir não era promissora, mesmo alguns meses antes da data prevista do pacto. Seguimos dezenas de contatos e, mês após mês, o número de recusas era equivalente ao de consultas.

Um amigo brincou recentemente comigo sobre as muitas horas de experiência que nossa congregação já acumulou. No entanto, servi por sete anos como pastor de uma igreja já estabelecida, onde ajudei a supervisionar iniciativas locais de plantio e revitalização. E, a partir de experiências como a nossa busca pelo prédio, percebo que o tipo de incentivo necessário nos primeiros dias de uma igreja é muito semelhante ao que é preciso ao longo de todo o primeiro ano. Aqui estão cinco lições que aprendi recentemente, às quais hoje me agarro e às quais voltarei à medida que nossa igreja amadurece.

1. Coloque o contato de plantadores com ideias semelhantes na discagem rápida.

Se você estiver plantando uma igreja, um dos seus melhores recursos para economizar tempo e evitar dores de cabeça é descobrir quais pastores que compartilham sua eclesiologia e filosofia de ministério passaram pelo processo de plantação de igrejas recentemente e colocar o contato deles na discagem rápida. Pergunte a eles o que fizeram, desde documentos norteadores, como uma declaração de fé e um pacto da igreja, até os detalhes minuciosos de softwares de diretório de membros e de planos de saúde. Minha regra prática tem sido: “Não reinvente a roda”.

Minhas principais fontes de inspiração foram as “rodas” de Matt Smethurst, pastor titular da River City Baptist Church, em Richmond, Virgínia (EUA), e Ben Lacey, pastor titular da Trinity River Baptist Church, em Fort Worth, Texas. Eles me pouparam dezenas de horas e evitaram inúmeros becos sem saída ao compartilharem generosamente conselhos, encorajamento, experiências, documentos e muito mais. Também ofereceram orientações valiosas sobre como adaptar e aplicar nossas convicções a novas situações e contextos.

2. Defina de antemão onde pretende estabelecer os limites.

Nunca é fácil recusar alguém. Isso se agrava quando a igreja ainda não atingiu a massa crítica, e cada potencial membro da equipe central parece o deixar mais próximo da viabilidade de existir e de planejar o orçamento. Por isso, os plantadores de igrejas correm o risco de buscar apenas um crescimento numérico em vez de edificar uma igreja. Defina, com antecedência, quais requisitos são necessários para alguém se tornar membro. Se não fizer isso, é provável que enfrente disputas internas no futuro, pagas com a moeda das disputas divisivas.

3. Não leve a rejeição para o lado pessoal.

Muitas pessoas considerarão juntar-se à sua equipe ou à igreja recém-fundada e, por inúmeros motivos, não se juntarão. Não leve isso para o lado pessoal. Deseje-lhes as riquezas de Deus e ore para que abençoem a igreja onde estão frequentando ou para onde estão indo. Mantenha relacionamentos cordiais com essas pessoas, reconhecendo que, em alguns momentos, o Senhor pode cruzar novamente seus caminhos. E, mais importante, esforce-se para imitar o total autoesquecimento de Paulo diante de sua responsabilidade última perante Deus (1 Coríntios 4:3–5).

4. Desfrute da compreensão profunda da obra de Deus no coração das pessoas.

Estamos trabalhando para plantar nossa igreja há pouco mais de um ano. Às vezes me pedem para indicar um versículo bíblico que me incentivou. Minha resposta pode parecer estranha: Êxodo 35.21. Sério, você ainda não o colou no espelho do banheiro? “Todo aquele cujo coração o moveu e cujo espírito o impeliu veio e trouxe a oferta ao SENHOR para a obra da tenda do encontro, para todo o seu serviço e para as vestes sagradas”.

Aqui, o povo da antiga aliança constrói e adorna a sua morada devolvendo a Deus o que Ele lhes havia dado. Quando Israel saiu do Egito no êxodo, saqueou os egípcios de joias de prata e ouro, bem como de roupas (12:35–36). Agora, com metais preciosos e tecidos finos necessários para embelezar o tabernáculo, o povo oferece livremente a Deus o que Ele lhes forneceu: broches, brincos, anéis de sinete, braceletes, objetos de ouro, fios de púrpura, linho fino e peles de carneiro (35:21–24). Repetidamente, a passagem descreve pessoas cujo coração as movia, que doavam generosamente e trabalhavam com habilidade.

Quem move o coração? Deus.

Como plantador de igrejas, é comum ficar mais atento às suas próprias necessidades do que ao poder de Deus para prover. Nada ainda está em curso; nada está acontecendo. Se algo há de acontecer, é o Senhor quem moverá o coração de alguém para que aconteça. Pode surgir a tentação de apressar esse processo, fazendo tudo sozinho ou pressionando demais as pessoas a ajudarem. Em vez disso, espere que o Senhor opere nos corações das pessoas, para motivá-las a trabalhar na igreja.

Repetidas vezes durante o processo de plantação, encontramos um ritmo frutífero de reconhecer necessidades da equipe, orar, fazer pausas e observar como o Senhor responde, incentivando alguém a contribuir. Muitas necessidades, diversas entre si, foram atendidas ao identificar, orar, esperar e observar de quem o Senhor move o coração.

Tem sido um privilégio doce e estimulante testemunhar o Senhor agir da linha de frente. Esta plantação de igreja não é obra minha nem do meu colega pastor; é a obra do Senhor através do coração do seu povo. Plantador de igrejas, se a ansiedade o assola, exponha suas necessidades, faça uma pausa, ore e contemple de perto a obra de Deus no coração do seu povo.

5. Lembre-se de que o braço de Deus é mais longo do que o seu.

Voltando à nossa busca pelo prédio, Chapel Hill é um mercado imobiliário desafiador. Em uma reunião de pastores locais, na primavera passada, um irmão bem informado da região disse: “Não há lugar para vocês se reunirem em Chapel Hill; Deus tem um lugar preparado para vocês, bem aqui em Chapel Hill”. A primeira parte da frase era óbvia; a segunda, deveria ser. As palavras do pastor eram sábias, bem articuladas e comprovadamente verdadeiras. Apenas dois meses antes de planejarmos o pacto de aliança, o Senhor providenciou um espaço maravilhoso e mais do que suficiente para alugarmos, que atendia a nossa longa lista de itens essenciais e desejáveis.

Lembre-se, o braço de Deus é mais longo que o seu. “Será que a mão do SENHOR se encurtou?” (Núm. 11:23).

 Traduzido por Claudio Lopes Chagas.

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