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Recentemente, meu marido e eu tomamos um café com outro pastor e sua esposa. Conversamos sobre nossos testemunhos, nossas famílias e nossas igrejas. Eventualmente, um deles perguntou: “Então, quem são seus amigos?”

Meu marido começou a listar alguns dos nossos amigos mais queridos. Uma amiga com quem tive um encontro semanal de oração por 10 anos. Uma amiga que nutriu nossos corações com palavras de encorajamento e nossos corpos com ovos mexidos e café, cedo pela manhã. Uma amiga que entrou em minha vida quando eu era adolescente e se manteve nela como uma alma gêmea.

Não sei se isto surpreendeu ao outro casal, mas surpreendeu a mim um pouco. Todos estes amigos eram membros de nossa igreja.

“Eles Não Podem Ser Seus Amigos”

Em 12 anos como esposa de pastor, o manifesto de ministério que ouvi repetido mais frequentemente é “Não se pode ter amigos íntimos na própria igreja”. Esta proibição é transmitida para as esposas já no seminário e circula por famílias envolvidas em ministério como se fossem a verdade do evangelho. Pessoas da igreja podem ser objetos de ministério. Elas podem ser fardos ou bênçãos. Elas podem ser conhecidos, vizinhos, até mesmo companheiros de trabalho. Mas nunca podem ser amigos.

Isto é uma mentira.

A igreja de Cristo nunca é “nós” contra “eles”. Nunca se trata de famílias de ministério de um lado e pessoas da igreja de outro. Nunca esposas de pastores acima ou além das mulheres na igreja. Trata-se de todos nós juntos em Cristo.

Eles Devem Ser Seus Amigos

Portanto, não só podemos ser amigos íntimos de membros da igreja como devemos ser. Apresento três razões:

1. Na realidade, já estamos próximos às pessoas de nossa igreja.

Quer reconheçamos ou não, as pessoas de nossas igrejas estão mais próximas de nós do que praticamente quaisquer outras. São membros do mesmo corpo (1 Co 12), ramos de uma mesma árvore (Jo 15), pedras no mesmo edifício (Ef 2). São co-herdeiros do reino, colegas de trabalho no evangelho, e concidadãos do céu. Juntos, estamos unidos a Jesus, tanto agora e para sempre.

E as pessoas em nossa igreja são as pessoas com quem nos envolvemos na atividade mais íntima da vida. Estas são as pessoas com quem adoramos a Deus. Somos mais verdadeiramente nós mesmos quando oferecemos adoração diante de Deus, e semana após semana são as pessoas na nossa igreja que se abrem em oração e cânticos, em receber a Palavra lida e pregada, em nos reunirmos com o Senhor.

Amigos de fora da igreja são uma bênção. Mas são as pessoas que prestam culto comigo, que percebem quando meus ombros estão caídos e minha voz está fraca, que compartilham minhas lágrimas e ouvem meus “améns”, que são igualmente responsáveis ​​por praticar a Palavra que todos nós ouvimos sendo pregada, é que são meus amigos mais queridos.

“Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis.” (1 Co 12.18). E ele diz à esposa do pastor: Eu escolhi estas pessoas em particular para a minha glória e para o seu bem. Aqui, bem nestes bancos, estão seus amigos.

2. As restrições são um incentivo e não um obstáculo, para a verdadeira amizade.

Escrevi anteriormente, citando a personagem Anne Shirley, sobre como a esposa do pastor pode agir como uma “consciência extra” para as pessoas na igreja. Mas os membros da igreja são também uma consciência extra para a esposa do pastor. E isto é uma dádiva.

Temo que a razão pela qual pensamos que não podemos ter amigos em nossas igrejas, é que frequentemente não compreendemos a natureza da verdadeira amizade. Se nossas amizades são baseadas na liberdade de fofocar sobre os outros, de reclamar sobre nossos cônjuges e filhos, em desabafar sobre as nossas finanças apertadas, ou em apontar falhas na igreja de Cristo, então não devemos encontrar estes tipos de amizades em nossas congregações. Mas é claro, não devemos estar buscando este tipo de amizade em lugar algum.

A amizade com membros da igreja estará (ou pelo menos deve estar), protegida da fofoca e maldade e insensatez. E se somos livres do pecado, somos libertados para a justiça. Com os membros da igreja podemos nos alegrar no Senhor, buscar sua face, e clamar a ele. Podemos conversar sobre sua Palavra, saborear a bondade de sua criação, e juntos agradecer a ele por nossas bênçãos.

Nossas restrições abençoadas, nos libertam para nos deleitarmos juntos no amigo em comum, que primeiro criou laços de amizade conosco. Que melhor amizade poderíamos ter?

3. Nossas amizades na igreja incentivam outras amizades na igreja.

Toda família de pastor que conheço deseja que as pessoas em sua igreja formem amizades próximas, com encorajamento mútuo, exortação uns aos outros, cuidado das necessidades uns dos outros, com busca de amar uns aos outros em suas vidas diárias.

E, no entanto, pastores e suas esposas frequentemente prescindem exatamente deste tipo de relacionamento que eles querem que os outros tenham. Quando fazemos isso, perdemos a oportunidade de estabelecer um exemplo e de fornecer um estímulo muito necessário, para o corpo que amamos.

Eles Estão Aqui

As amizades nos tornam vulneráveis. As esposas de pastores sabem disso, e creio que, muitas vezes, este é o medo subjacente à nossa incapacidade de fazer amizades na igreja. Se nos tornarmos amigas próximas dos membros da igreja, poderemos ser mal interpretadas. Poderemos ser abandonadas. Poderemos ser maltratadas, acusadas, caluniadas, ou manipuladas. Poderemos ser magoadas. A amizade requer que nós (tal como nosso Salvador antes de nós), arrisquemos tudo, sabendo que podemos ser desprezadas e rejeitadas no processo.

Mas nossa disposição de fazê-lo será uma bênção para a nossa igreja. De qualquer maneira, todos nós, quer sejamos esposa de pastor, ou uma criança de 6 anos, ou uma mãe solteira ou uma viúva idosa, temos de enfrentar o medo da rejeição para fazer amizades. E se a esposa do pastor seguir em frente, mostrando o caminho, se ela se aproximar ao invés de se abster e tornar-se vulnerável e se submeter aos irmãos, outros poderão encontrar coragem para fazer o mesmo.

Há alguns meses atrás fomos transferidos para uma nova igreja. Ainda não tenho certeza de quem serão minhas amigas mais próximas, mas sei que elas estão aqui, escolhidas por meu Deus, sentadas nestes bancos, prontas para crescerem em Cristo junto comigo.

Traduzido por Marq.

 

 

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