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O Brasil está desmoronando diante dos nossos olhos. Estamos atônitos com os níveis de sua queda moral. Não há um único setor da vida pública que não esteja enlameado de imoralidade e corrupção. Perdeu-se a vergonha, bem como a velha preocupação de se preservar o bom nome. Aliás, suspeita-se que, em breve, alguns nomes próprios sejam listados ao lado daquele que traiu Jesus. Por causa do que passaram a representar na vida pública brasileira, deixarão de ser escolhidos pelos pais e, consequentemente, não inscritos nos cartórios de todo Brasil, fruto da estigmatização onomástica.

Como alguém que se afasta um pouco de um cenário para observá-lo melhor, afaste-se um pouco e observe os Poderes da República. Observe a textura da lama dentro e fora dos prédios na Praça do Três Poderes. Considere os desvios de verbas públicas para enriquecimento ilícito, as emendas parlamentares como moeda de troca e barganha política, os pagamentos de propinas para obtenção de vantagem indevida e as sonegações fiscais, prejudicando os cofres públicos e reduzindo consideravelmente a aplicação dos recursos para serviços essenciais à população.

Desde a redemocratização (1985), impressiona o número de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no país. Embora não haja um cálculo oficial do montante desviado e sonegado na história recente do país, há uma estimativa. Desde o Anões do Orçamento, no final dos anos 80, passando pela Operação Lava-Jato, deflagrada em 2014, chegando à Compliance Zero, em 2026, órgãos de controle, sindicatos fiscais e institutos de pesquisas estimam que o prejuízo acumulado aos cofres públicos chegam com folga a casa de catorze dígitos, isto é, dezenas de trilhões de reais. Isso mesmo: trilhões de reais.

E a imoralidade não tem limites. Recentemente, veio a público a tal festa das “suíças”, termo usado nas mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF). Promovida pelo banqueiro Daniel Vorcaro, tratou-se de um encontro privativo durante o Halloween de 2023, regado a muita bebida e ocorrida na casa noturna de nome sugestivo – Madame Satã. Uma verdadeira bacchanalia na proporção de 120 mulheres para 20 homens. Entre os presentes, alguns membros e familiares de membros dos Poderes da República, demonstrando imoralidade sem limites e em baixíssimo nível.

Se partirmos para a metáfora médica, o país está doente e seu diagnóstico é perturbador: câncer metastático. Nesse caso, há um tumor original e dele se desprendem células malignas que formam novos tumores em órgãos próximos. No caso do Brasil, o tumor foi diagnosticado e prognosticado, mas nada de efetivo foi feito para combatê-lo. Preferiram prescrever dipirona de 1g ao severo tratamento de radioterapia e quimioterapia. Como as células que se desprendem do tumor original são cruéis e avançam com força devastadora, assim também ocorreu na Praça dos Três Poderes.

O Poder Legislativo, que teria e tem a competência constitucional para conter os avanços das células malignas, possui uma história recente de covardia e subserviência. Dizem por aí que isso ocorre porque os parlamentares estão acuados devido às suas próprias perversidades, “comendo nas mãos” de membros da Suprema Corte. E se isso procede, estamos diante do fenômeno da perda dos freios celulares, quando, por falha, as células cancerígenas passam a se dividir desordenadamente. Talvez por isso, o Senado Federal, sobretudo na pessoa de seu presidente por prerrogativa de função, seja tão fraco e omisso, deixando de cumprir seu papel constitucional de pautar temas necessários.

Esse câncer que poderia ter sido contido progrediu, chegando ao prédio vizinho do Poder Executivo. Embora o comprometimento de muitos dos ex-presidentes e seus homens de confiança, os ministros, seja um tema de alta complexidade, parecem estar amplamente demonstrados a falta de ética pública e de responsabilidade política, resultando na desconfiança social quanto às ações para o exercício da governança. Na composição atual do Executivo, seu chefe demonstra completa ruptura com valores que sempre nos foram caros e decorrentes de nossa liberdade, dentre os quais, a família, valor tido como atrasado. É claro que se o que está em jogo é o prolongamento de sua permanência à frente país, é possível, temporariamente, posar de bom moço.

Nas últimas semanas, o que parecia uma suspeita, agora também é um diagnóstico. Células cancerígenas chegaram ao prédio vizinho na Praça dos Três Poderes: o do Judiciário. Cito as palavras de um dos ministros da Suprema Corte, em seu a parte durante o posicionamento sobre matéria de ordem: “[…] eu nunca vi tanta corrupção no sistema de justiça do Brasil […] é o momento mais corrupto da história do Poder Judiciário do Brasil”. Se os tribunais estão corrompidos, como afirmou o ministro, a que pior condição poderíamos chegar? Se no lugar da justiça, há perversidade, e no lugar da retidão, há iniquidade (Eclesiastes 3:16), o que será do Brasil?

O cenário é caótico e vil. Estamos sob vergonha. Os Poderes da República caíram em descrédito e as instabilidades política e econômica desgraçam toda nação. Um país encantador, com belezas naturais incríveis e rico sob todos os aspectos, infelizmente, está nas mãos de pessoas indignas, desumanas, perversas. De onde poderia vir ajuda? Em outros tempos, talvez de setores da mídia tradicional. Mas ela também se corrompeu. Células cancerígenas desordenadas chegaram aos meios de comunicação. Ali também há uma crise de idoneidade, pesando sobre ela o descrédito. E tudo isso às vésperas das eleições estaduais e federais de 2026.

O que sobrou? O povo. Fomos entregues a nós mesmos. E, justamente, por estarmos às portas de novas eleições, com toda desconfiança que, eventualmente, paira sobre a clareza do processo, precisamos abandonar a autopiedade e descer do muro, pois é hora de se fazer escolhas, de se tomar decisões, para votarmos os nomes daqueles que comporão as Câmaras e Governos estaduais, do Parlamento (deputados federais e senadores) e da Presidência da República a partir de 2027. Embora seja perceptível que células que se desprenderam do tumor original tenham atingido parte da população, não tenho dúvidas que ainda há pessoas que sabem discernir entre o bem e o mal, entre o ético e o antiético.

É hora de remover a lama e de combater as angústias e dores causadas pelo câncer. É hora de mostrar que não compactuamos com projetos políticos que se opõem à ordem e à vida. Há candidatos perfeitos? Não. Há projetos políticos perfeitos? Não. Candidatos e projetos resolverão em definitivo os problemas sociais que nos angustiam? Não. Três sonoros “nãos”! Mas a gente pode escolher entre deixar as coisas como estão para, em breve, agonizarmos até à morte, ou, pelo voto, removermos algumas células cancerígenas que ocupam lugares estratégicos em nossos Estados e em Brasília. Pelo voto, seria algo como o povo aplicando o tratamento local da radioterapia e o tratamento sistêmico da quimioterapia.

Já cansado de tudo isso e com esperança mínima, alguém poderá dizer: “mas chegando lá, todos se corrompem”. Talvez haja razão nisso e tudo indica que sim, se corrompem mesmo. Mas uma coisa é votar em alguém que ainda não possui rastros de corrupção, esperando que sua dignidade seja preservada, e outra coisa é votar em quem já deixou rastros de sua malignidade. E, não sei você, mas, para mim, tudo isso é um problema de consciência; de poder olhar para as circunstâncias e saber que não há, literalmente, dedo meu (pelo voto) para a existência e manutenção do caos; de que não pesa sobre mim a culpa pela corrupção e imoralidade instaladas.

Sófocles, dramaturgo grego que viveu no Século 5 a.C., escreveu que “não existe testemunha mais terrível – acusador mais poderoso – do que a consciência que habita em nós”. A consciência fala e é, muitas vezes, implacável em suas palavras. Dar ouvidos a ela é sinal de discernimento. Entretanto, temo que muitos já tenham simplesmente sofrido do mal causado pelo silenciamento de suas consciências, embrutecendo-se e perdendo a capacidade e a sensibilidade de ouvirem a vozes internas que antes lhes falavam.

As eleições se aproximam e nós, eleitores, precisamos nos posicionar diante do caos instalado. A escolha de votar ou não votar, e em quem votar, trará consequências, a médio e longo prazo, para os sistemas de saúde, de educação e de segurança pública. Trará consequências para a economia nacional e para nossas liberdades individuais. Não afetará apenas jovens e adultos que participarão do pleito, mas também nossos filhos e netos, aqueles que ainda não podem tomar parte nessas decisões. E então? Qual será sua atitude? Como você reagirá em relação a toda essa bagunça e sujeira? Pense nisso e que Deus nos ajude a ver, como no princípio da criação, o caos dando lugar à ordem.

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