Quando seu Parceiro Caiu e Não Consegue se Levantar

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Minha esposa escreveu com bravura e graça, sobre os problemas que teve com sua saúde mental. Sempre me perguntam o que me ajudou nessas horas.

Com a permissão dela, proponho, a seguir, 10 reflexões, e deixo o alerta de que talvez elas não se adequem a sua situação. Eis o que me sustentou:

1. O Sacerdócio de Cristo é Precioso

Jesus carrega vocês dois em Seu coração diante do Pai. Não importa como você se sente (ou se não sente nada), é o relacionamento de Cristo com o Pai que importa, e não o de vocês. No meio da escuridão, você não pode confiar em seus sentimentos. Não pode confiar nem em sua fé. Apenas saiba que o próprio Cristo assegura sua posição perante o Pai. Não importa se você está emocionalmente firme ou abalado. Ele sempre está firme – eternamente – sustentando você.

2. A Escravidão do Desejo É Real

Entenda que, apesar de tudo que o mundo diz, os seres humanos não são máquinas tomadoras de decisão, que calculam resultados e agem racionalmente. Somos adoradores tolos que abandonam a si mesmos por ídolos terríveis que apenas escravizam. Se o vício é parte da história de seu cônjuge, saiba que ele está sendo forçado a isso. Não contra a própria vontade, já que escolheu esse caminho. Mas está aprisionado, realmente encurralado. E não escolhe estar enfermo para irritar você. Tampouco é capaz de decidir fugir disso. Se pensar assim, você só vai acabar sentindo ódio. A menos que acredite na escravidão do desejo, você não amará as pessoas em seus comportamentos autodestrutivos.

3. A Teologia da Cruz é Vital

Martinho Lutero (que ensinou sobre a escravidão do desejo e também teve episódios de depressão profunda) disse que há duas maneiras de pensar sobre Deus e a vida. Uma delas é a teologia da glória: Deus está no céu, e o alcançamos por nossa própria força. A outra é a teologia da cruz: Deus habitou entre nós porque não temos força própria. Uma diz: “Há uma luz no fim do túnel. Continue caminhando.”. A outra afirma: “Eu sei que está escuro, mas Cristo está aqui.”. Essa é a teologia da cruz, indispensável para quem sofre, ou seja, todos nós.

4. Não Busque que “as Coisas sejam como Antes”

Você sabe – e seu cônjuge também – que ele não é mais a mesma pessoa. A grande tentação é pensar, e até mesmo falar, sobre quem ele costumava ser, o que pode ser imprudente. Parece-me que a redenção funciona de outra maneira. No deserto, os israelitas ansiavam pelo Egito, por comida decente e abrigo. Mas o Senhor não os levou de volta ao lugar de onde haviam saído. Ele os conduziu pelo deserto até um novo lugar. Seu verdadeiro lar estava mais à frente – uma terra espaçosa que eles ainda não haviam visto. É assim que Deus lida conosco, movendo-nos de um jardim para uma cidade. Acho que é um erro tentar voltar ao modo como as coisas eram. Talvez “o modo como as coisas eram” tenha levado vocês a esse caos.

5. Sentir-se Impotente é Horrível – e bom

Talvez o mais forte sentimento de quem tem ao lado uma pessoa nessa situação seja a impotência. É angustiante ver alguém que você ama preso em um buraco ou encaminhando-se para o túmulo precocemente. Esse sentimento de impotência é inevitável, mas pode ser transformado em algo bom. Porque – adivinha? – não podemos ajudar ninguém em um nível tão profundo por meio dos esforços da carne. Somente o Espírito, somente Seu evangelho, pode realmente mudar as pessoas. Portanto, deixe sua impotência levar você à oração. Como marido, nunca estou 100% seguro do que “liderança” significa na prática, mas estou convencido de que o Senhor levanta a voz diante do seu exército (Jl 2.11). Minha função é lutar pela minha noiva.

Portanto, o tipo certo de impotência é bom, pois nos leva à oração. Mas, em alguns momentos, você precisará desafiar esse sentimento de impotência, porque há certas coisas que você pode sim fazer. Esse é o próximo assunto.

6. Você Precisará Mudar

Vícios são contagiosos. Não afetam apenas o viciado, mas também as pessoas ao seu redor. Haverá dinâmicas não saudáveis em que vocês cairão juntos. Haverá padrões e pecados individuais que precisarão ser tratados. Se você é pecador (o que é fato), você certamente está exacerbando a situação.

Não digo isso como forma de condenação. Na verdade, há nisso muita esperança e até um certo alívio frente à impotência! Isso abre portas para a oração e a liberdade. Ao começar a se arrepender, você ajudará seu cônjuge a saber que o problema não é ele. Vocês estão juntos nessa batalha.

E isso é vital porque…

7. A Unidade que vocês Formam é mais Profunda do que esse Problema

A batalha nunca deve ser travada entre “você e seu cônjuge problemático”, mas sim entre “vocês dois e o problema”. Nunca permita que o inimigo diga que seu cônjuge é o problema. Uma boa maneira de manter-se firme nessa verdade é continuar praticando a reflexão número seis: continue se arrependendo, e de forma aberta. Ser transparente sobre suas lutas fortalece seu parceiro (e a unidade que vocês formam).

8. O Segredo é um Amor firme e Seguro

Se seu cônjuge está preso à autodestruição, como você deve reagir? A carne tende a duas reações naturais: ou cedemos aos desejos da pessoa, acelerando o declínio, ou, com raiva, enterramos o pé no freio. Eu oscilo entre ambas. Finjo que está tudo bem por um tempo. Afinal, amar significa dizer sim, certo? Depois fico com raiva da situação. Assim, oscilo entre “bonzinho” e “amargurado”. O segredo é oferecer um amor firme e seguro.

É como o Senhor age em Gênesis 18. Sara riu da promessa de que teria filhos. Deus pergunta: “Por que você riu?”. Sara responde: “Não ri.”. Ele diz: “Não negue, você riu.”. E assim termina a cena.

Isso é maravilhoso! O Senhor não é ameaçado por Sara. Tampouco a ameaça. Ele não tenta ficar contra ela nem recriminá-la, mas defende a verdade. Se seu cônjuge está lutando contra um vício, você terá inúmeras oportunidades de demonstrar um amor firme e seguro. Você vai errar em 99% delas – seja cedendo ou atacando – mas, ocasionalmente, provará do caráter do próprio Senhor: um amor que não permite a destruição de quem Ele ama.

9. Conduza-o de volta à Luz

Essa segurança espiritual não vem de você mesmo. Fazendo uma analogia com uma dança, talvez seu cônjuge esteja saindo da pista, mantendo uma postura ruim, perdendo-se nas sombras. Pode ser tentador simplesmente ficar lá com ele. Mas, ao agir assim, você se afasta da comunidade que é tão vital para os dois.

Você é chamado, na força do Senhor – e com o apoio de seus irmãos e irmãs – a persuadir, triunfar e conduzir seu parceiro de volta à luz. Ele provavelmente não vai gostar desse plano, a propósito! Mas a “cruz” do retorno à comunidade é muito melhor do que o “inferno” do isolamento. Portanto, em algum momento, você precisará ajudar seu cônjuge a se afastar das trevas. Com a opinião, as orações e a ajuda prática de sua família da fé, vocês irão juntos da escuridão do isolamento para a luz da comunidade.

10. Não se trata de uma Distração da vida real. Essa é a vida real

É sempre tentador pensar que essas lutas são um desvio da trajetória na qual você deveria estar. Afinal, a vida deveria ser uma evolução ininterrupta… Não, espera! Essa é a teologia da glória, não é? Como teólogos da cruz, devemos saber que Jesus está agindo bem aqui e agora, até mesmo – e especialmente – no sofrimento. Ele quer e pode nos redimir de todo o mal (Gn 48.16).

Nosso papel não é evitar ou burlar essa curva no caminho. O Senhor sabe como restituir os anos que foram consumidos pelo gafanhoto migrador (Jl 2.25). Talvez você possa consolar os outros com a consolação com que nós mesmos somos contemplados em nossa aflição (2Co 1.4). Mas, aconteça o que acontecer, deixe-O cuidar desses detalhes.

Portanto, amigo, submeta-se a Jesus, viva em comunidade, olhe para seus próprios pecados, ame seu parceiro, ore, ore e ore. Jesus entra no caos e diz: “Aqui estou. Comecemos a lutar bem aqui e agora.”.

 

Traduzido por Giovanna Braz dos Santos Garotti

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