Deus Ri Alto para Aquietar Nossos Medos

Como é horrível, e maravilhoso, quando Deus ri alto.

Seu riso não é apenas altamente contagiante. Tem um impacto no mundo. Seus inimigos se apavoram. Seus amigos encontram conforto. Seu riso alerta os traidores cósmicos da sua destruição iminente e, ao mesmo tempo, relembra aos santos abatidos de que, para estes, o melhor ainda está por vir.

O Riso Fala

O riso, tanto para Deus como para nós, é uma forma de comunicação não verbal. Comunica algo que está além da nossa visão e algo além daquilo que pode ser expresso em palavras.

Segundo a revista Psychology Today, o riso é “uma das características peculiares aos seres humanos” e pode ser “a mais contagiosa de todas as experiências emocionais”, embora ainda “pouco se saiba sobre os mecanismos por trás dele”.

Entre os seus benefícios para a saúde estão: o alívio da tensão, a redução da ansiedade, o estímulo ao sistema imunológico e a melhora da circulação. Mas, além disso, está claro que o riso é “um sistema de sinalização social altamente sofisticado”. O riso é social. Ainda que possa ser involuntário, é uma tentativa de se comunicar com os outros. As pessoas solitárias não riem muito, e quando acidentalmente rimos sozinhos, sentimos a necessidade de informar os outros, daí a origem da expressão “lol” [sigla, em inglês, que significa “rindo alto”].

O Riso na Bíblia

O riso tem um poder comunicativo nas Escrituras. Com frequência, ele comunica zombaria, escárnio ou ridicularização (Gênesis 21.9, 38.23, 39.14, 17; 2 Crônicas 30.10; Salmos 52.6, 80.6; Provérbios 1.26; Ezequiel 23.32; Habacuque 1.10). O riso do insensato revela sua tolice (Provérbios 29.9; Eclesiastes 7.6), enquanto o do justo indica confiança em Deus (Salmo 52.6). O riso serve até como uma forma do que chamaríamos hoje de “paquera” (Gênesis 26.8).

E o mais importante de todos é o riso de Deus. Feitos à Sua imagem e semelhança, herdamos dEle o nosso riso. Talvez seja por isso que hoje os psicólogos afirmam que o riso é “uma das características peculiares aos seres humanos”, embora reconheçam que “pouco se sabe sobre os mecanismos por trás dele”.

Os inimigos de Deus podem tramar contra o Seu povo, mas “rir-se-á dele[s] o Senhor, pois vê estar-se aproximando o seu dia” (Salmo 37.13). Deus ri daqueles que se levantam contra os Seus ungidos (Salmo 59.8). E Ele faz isso por nossa causa, para se comunicar conosco. Ele ri para enviar sinais, sinais estes que são horríveis para Seus inimigos e maravilhosos para Seus amigos. O exemplo mais memorável é o Salmo 2.

Quando Deus Ri

O cenário é claro: de um lado estão os inimigos de Deus; do outro, Seus amigos. Seu “Ungido” (Salmo 2.2) é a pessoa escolhida para governar Seu povo, sobre quem está a graça do Senhor. Junto ao rei escolhido por Deus estão os seus servos leais (originalmente, o rei de Israel e o seu povo; hoje, o próprio Cristo e Sua igreja).

Para o povo de Deus, o Seu riso traz grande conforto. Deus ri para espantar nossos medos, para nos lembrar de que nenhum dos Seus propósitos pode ser frustrado. Não tememos como as nações rebeldes, pois ouvimos a Sua voz. Recebemos a Sua promessa. Dádiva após dádiva, indignos como somos, Ele nos deu a Sua graça, em Seu Filho. Quem somos nós para desonrá-Lo e não receber a promessa da Sua palavra? “Tu és meu Filho” (Salmo 2.7). Ele nos abriu os ouvidos, falou conosco e nos deu Seu Espírito para que recebamos Suas palavras como filhos (Romanos 8.16-17).

Quando ouvirmos os inimigos de Deus se irarem, tramarem e se levantarem contra o Seu Cristo e Sua igreja (Salmo 2.1-2), a sua conspiração logo será sufocada pelo som mais feliz e reconfortante do mundo, ressoando do próprio céu: a alegria de Deus em risadas gloriosas. “Ri-se aquele que habita nos céus.” (Salmo 2.4)

Em breve, assim como nós, nossos inimigos também ouvirão Sua voz, mas, em vez de serem consolados por um pai, ficarão apavorados com a Sua fúria (Salmo 2.5). Não serão simplesmente vencidos, mas dominados (Salmo 2.8; Romanos 8.37).

Para aqueles que se opõem ao escolhido de Deus, o riso divino comunica a sua insensatez. A batalha não se dará em pé de igualdade. Aliás, nem haverá uma batalha. Eles não têm a menor chance contra o Todo Soberano. Eles estão em total desvantagem e, certamente, perderão, não importa por quanto tempo Deus os tolere. Levantar-se contra o Rei Ungido de Deus é absurdamente ridículo.

Beijai Seu Filho

Para os inimigos que detectam no glorioso riso de Deus os sinais da sua morte iminente, Ele ainda oferece uma saída: “Deixai-vos advertir… Servi ao SENHOR com temor e alegrai-vos nele com tremor” (Salmo 2.10-11). Em breve será tarde demais, mas ainda não é; por enquanto ainda nāo. “Beijai o Filho” (Salmo 2.12), e ficareis livres do terror da Sua risada e sereis acolhidos na maravilha de Sua alegria. Seus braços continuam abertos, mesmo ao se rir da vaidade de Seus inimigos (um aviso misericordiosamente claro para eles sobre a fúria para a qual seus caminhos presentes os levarão, e de que Ele é um refúgio inesgotável de felicidade eterna).

O riso de Deus relembra Seus inimigos de que serão derrotados, e seus amigos de que com Ele, venceremos nossos inimigos. E não apenas que o Seu Filho esmagará a serpente por nós, mas que Ele chamará o Seu povo das arquibancadas para o campo, e o Deus da paz, em breve, esmagará Satanás debaixo de nossos pés (Romanos 16.20). O riso de Deus relembra a seus inimigos que, embora Ele os esteja tratando com grande paciência agora, em breve Sua ira se inflamará rapidamente (Salmo 2.12) e será terrível se opor a Ele. E o Seu riso também relembra a Seus filhos da felicidade deles: “Bem-aventurados todos os que nele se refugiam” (Salmo 2.12).

Seu Povo Ri com Ele

O riso de Deus é, ao mesmo tempo, horrível e maravilhoso. É horrível para aqueles que se opõem a Ele, e maravilhoso para os que são Seus, para os Seus filhos, para o Seu povo, para aqueles que ouvem no Seu riso as maiores alegrias do mundo e que ecoam de volta seu riso contagioso.

Por enquanto, Seus inimigos podem estar rindo o riso da incredulidade, como fizeram com Jesus (Mateus 9.24; Marcos 5.40; Lucas 8.53), mas nós, assim como a excelente esposa de Provérbios 31.25, podemos “sorrir diante do futuro” [NVI], e ao fazê-lo, comunicamos nossa confiança em Deus para lidar com os maiores problemas possíveis.

Tal como Abraão e Sara, estamos numa jornada espiritual que vai do riso da incredulidade (Gênesis 17.17, 18.12-15) ao riso da fé (Gênesis 21.1-7), sabendo que não vivenciaremos em nós mesmos a plenitude do riso do próprio Deus nesta era de pecado e dor (Lucas 6.25). Por enquanto, não há apenas riso. Muitas vezes, nosso riso se transforma em pranto (Tiago 4.9). “Até no riso tem dor o coração, e o fim da alegria é tristeza” (Provérbios 14.13). Mas o riso irresistível e sem fim será nossa experiência vindoura. Jesus diz: “Bem-aventurados vós, os que agora chorais, porque haveis de rir” (Lucas 6.21). Por enquanto, há um “tempo de rir” (Eclesiastes 3.4). Um dia, vamos rir para sempre, e como nunca o fizemos antes.

Publicado originalmente em DesiringGod.org.

Traduzido por Renata Jarillo.

Compartilhar
CARREGAR MAIS
Loading