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Nota do Editor: 

Partes deste artigo foram extraídas do novo livro de Joe Carter, The Life and Faith Field Guide for Parents: Help Your Kids Learn Practical Life Skills, Develop Essential Faith Habits, and Embrace a Biblical Worldview [Guia Prático para Pais para a Vida e a Fé: Como Ajudar seus Filhos a Aprenderem Habilidades Práticas, Desenvolverem Hábitos Essenciais de Fé e a Abraçar uma Cosmovisão Bíblica], agora disponível na Amazon (Kindle | Paperback).

De acordo com uma nova pesquisa da Pew Research, mais da metade dos adolescentes nos Estados Unidos hoje vêem o bullying como um grande problema entre seus colegas, Os adolescentes foram mais propensos a classificarem o bullying como problema, mais do que a pobreza, o vício em drogas ou o consumo de bebidas alcoólicas. Somente a ansiedade e a depressão — problemas para os quais o bullying contribui — tiveram uma classificação mais alta na pesquisa.

Cerca de 28% dos estudantes dos EUA entre a sexta série e o terceiro ano do ensino médio relatam ter sofrido bullying. Aproximadamente 30 por cento admitem cometer bullying com outros e 70,6 por cento dizem ter observado bullying nas suas escolas. A maior parte do bullying ocorre durante os anos do ensino fundamental, mas uma pesquisa sobre os comportamentos de risco dos jovens feita pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças revelou que cerca de um quinto dos estudantes do ensino médio (19% em 2017) relataram ter sofrido bullying nos últimos 12 meses, e 14,9% disseram ter sofrido cyberbullying no último ano.

Por gerações, muitos americanos — incluindo demasiados cristãos — consideraram a intimidação uma parte normal, embora infeliz, da infância. Mas, nas últimas décadas, a sociedade começou a perceber que o bullying pode ter efeitos de longo prazo sobre todos os envolvidos.

As crianças que sofrem bullying podem sofrer de depressão, de ansiedade, de transtornos de humor e da redução do desempenho acadêmico. As crianças que cometem bullying também podem se envolver em comportamentos violentos e outros comportamentos de risco à medida em que chegam à idade adulta. Elas são mais propensas a se engajarem em atividades sexuais precoces, abusar do álcool e outras drogas tanto na adolescência como na idade adulta, e já adultos, a serem abusivos em relação a seus parceiros românticos, cônjuges ou filhos.

E as crianças que simplesmente são testemunhas do bullying têm maior probabilidade de aumentar o uso de tabaco, do álcool ou outras drogas, sofrem de problemas de saúde mental — incluindo depressão e ansiedade — e faltam à escola ou deixam de frequenta-la.

Devido a estes efeitos prejudiciais, entender o bullying e saber como abordá-lo é uma parte importante para desenvolver nas crianças uma cosmovisão bíblica e de amor ao próximo.

Tipos e Modos de Bullying

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA define o bullying como um comportamento indesejado e agressivo entre crianças em idade escolar que envolve um desequilíbrio de poder real ou aparente. O comportamento é repetido ou tem o potencial de ser repetido ao longo do tempo. Para ser considerado bullying, o comportamento deve ser agressivo, repetido e incluir um desequilíbrio de poder entre as crianças. Crianças que fazem bullying usam seu poder — tal como a força física, acesso a informações embaraçosas ou sua popularidade — para controlar ou prejudicar outras pessoas.

O bullying pode ser classificado em quatro tipos: verbal, social, físico e dano à propriedade. O bullying verbal é dizer ou escrever algo que seja cruel ou intencional, e inclui atos como fazer comentários sexuais impróprios ou ameaçar causar dor. O bullying social, por vezes referido como bullying relacional, envolve ferir a reputação ou os relacionamentos de alguém e inclui espalhar rumores ou causar constrangimento público intencional. O bullying físico envolve ferir o corpo de uma pessoa e inclui ações como bater, chutar, cuspir, empurrar, abusar sexualmente ou tomar seus pertences. O quarto tipo de bullying envolve qualquer tipo de dano intencional à propriedade de uma criança.

Os dois modos de bullying incluem o direto (bullying que ocorre na presença de uma criança) e o indireto (bullying não diretamente comunicado a uma criança alvo, tal como espalhar boatos).

Devido à prevalência da tecnologia de mídia, as crianças agora precisam lidar com bullying eletrônico ou cyberbullying — intimidação que ocorre usando a tecnologia (incluindo, entre outros, celulares, e-mail, salas de bate-papo, mensagens instantâneas e postagens on-line). Cyberbullying não é um tipo diferente de bullying; envolve apenas um contexto eletrônico. O cyberbullying envolve alguma forma de intimidação verbal (como ameaças ou assédios por mensagens de texto), intimidação social (como espalhar rumores online) ou danos à propriedade (como destruir arquivos de lição de casa).

A maior parte do bullying ocorre nas áreas da escola, incluindo playgrounds e ônibus escolares. Um estudo amplo revelou a porcentagem de estudantes do ensino médio que sofreram bullying nesses locais na escola: salas de aula (29,3%); corredores ou armários (29%); cafeterias (23,4 por cento); ginásios ou aulas de educação física (19,5 por cento); banheiros (12,2 por cento); e playgrounds ou recesso (6,2%).

Dicas para Treinar as Crianças

Pergunte ao seu filho sobre o bullying — seu filho sofreu bullying? Antes de dizer não, você deveria perguntar a eles. Apenas cerca de 20% a 30% dos alunos que sofrem bullying notificam os adultos sobre o bullying. Se a criança admitir ter sofrido bullying, deixe-os saber que você está do lado deles. “Perceba que seu filho não é culpado por ser intimidado, e se recuse a acreditar em qualquer mentira sendo contada sobre ele ou ela”, diz o Dr. Walt Larimore. “O valentão é quem tem problemas. Relembre aos seus filhos o valor deles na sua visão e na visão de Deus, e ajude-os a entender que ninguém pode fazê-los se sentirem inferiores sem a permissão deles. ”

Rótulos que estigmatizam crianças — O bullying envolve tanto o comportamento quanto o desequilíbrio de poder. Quando rotulamos uma criança como um valentão, insinuamos que o comportamento dela não pode mudar (“Ela é desta maneira). Da mesma forma, quando rotulamos uma criança como vítima, podemos estar dando a impressão de que a criança é fraca ou inferior. Em ambos os casos, os rótulos não reconhecem os múltiplos papéis que as crianças podem desempenhar em diferentes situações de bullying. Uma criança que faz bullying pode também sofrer de bullying de outras crianças.

Ao invés de rotular as crianças envolvidas, concentre-se no comportamento. Por exemplo, em vez de chamar uma criança de intimidadora, refira-se a ela como uma criança que fez bullying. Em vez de rotular uma criança como vítima, refira-se a ela como uma criança que sofreu bullying. E, em vez de chamar uma criança de intimidadora / vítima, refira-se a ela como uma criança que sofreu bullying e também fez bullying com outros.

O Círculo de Bullying — Mesmo que seu filho não esteja fazendo ou sofrendo bullying, ele pode estar no grupo mais amplo conhecido como o círculo de bullying. O Programa de Prevenção do Bullying de Olweus identificou vários papéis que as crianças desempenham em relação ao bullying:

  • Alunos que fazem bullying
  • Alunos que sofrem bullying
  • Seguidores ou comparsas — aqueles que participam, mas não iniciam o bullying
  • Apoiantes ou bullies passivos — aqueles que apoiam o bullying mas não tomam parte ativa
  • Apoiantes passivos ou possíveis agressores — aqueles que gostam do bullying mas não exibem suporte abertamente
  • Espectadores desengajados — espectadores que não se posicionam
  • Possíveis defensores — aqueles que não gostam do bullying e pensam que devem ajudar, mas não agem
  • Defensores — opositores do bullying que tentam ajudar o aluno vítima de bullying

Incentivar a intervenção — Devemos ensinar nossos filhos a serem defensores e não ter medo de proteger outras pessoas (Mt 7.12; 1Ts 5.14; Hb 13.6) Sua disposição para intervir pode fazer uma diferença significativa. A pesquisa mostrou que mais da metade do tempo (57%), quando as crianças intervêm e desempenham o papel de “defensores”, o bullying para em 10 segundos.

Regras para lembrar e viver — Em vez de esperar até que um incidente ocorra, ensine a seu filho de antemão que você espera que ele se comporte como um defensor. No mínimo, as crianças devem ser orientadas a seguirem sempre as seguintes regras:

  • Não vou fazer bullying com outros.
  • Vou tentar ajudar outras crianças que sofrem bullying.
  • Vou tentar incluir outras crianças que são deixadas de fora.
  • Se eu souber que alguém está sofrendo bullying, contarei a um adulto na escola e a meus pais.
  • Vou orar tanto por aqueles que estão sofrendo bullying quanto por aqueles que estão fazendo bullying para com os outros.

 

Traduzido por Raul Flores

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