8 Maneiras de Perder o Rumo em Pequenos Grupos

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Nota do Editor: 

Este artigo apareceu no Unlocking the Bible [Destravando a Bíblia].

Quinta feira à noite. As Bíblias estão abertas. Seis homens de uma igreja local estão orando juntos. Um lê o Salmo 31 e aplica-o ao seu irmão. Um forte senso de dependência de Deus preenche o local.

Domingo depois do almoço. Após uma manhã movimentada, a igreja está quieta. As crianças estão brincando na sala ao lado, enquanto cinco casais se reúnem para dialogar sobre o sermão. Juntos, eles têm fome e sede pelas verdades de Deus.

Pequenos grupos. Grupos nos lares. Grupos de vida. Comunidades missionais. Qualquer que seja o nome dado à reunião de um número pequeno de crentes fora do culto comunitário, o objetivo é o mesmo: comunhão e encorajamento ao redor da Palavra de Deus.

No entanto, podemos facilmente perder o rumo. Apesar de termos as melhores intenções, muitas vezes saímos dos trilhos e esquecemos a razão pela qual nos reunimos. Às vezes, preferimos nos centrar naquilo que é mais fácil e mais confortável, mas tal abordagem carece de poder transformador para nos aproximar de Deus e dos outros.

Os pequenos grupos têm um objetivo e devemos fazer o possível para mantermos isto em mente. Aqui estão oito maneiras em que muitas vezes perdemos o rumo nos pequenos grupos.

1. Tornar a Bíblia opcional.

Considerar a Bíblia como um acessório para um pequeno grupo, mas não seu foco — como uma maneira de se obter ajuda e se sentir melhor sobre a vida, mas não como sendo a própria vida. Ao invés de valorizar a Bíblia como a voz de Deus, reduzi-la a alguns ditados e instruções úteis. Em vez de reverenciá-la como o núcleo da reunião, apenas fazer referência a ela se houver tempo extra ou se alguém tiver alguma dúvida sobre ela.

2. Transformar o pequeno grupo em um clube social.

Se os cultos de adoração são para ler a Bíblia e ouvi-la ser pregada, não deveriam os pequenos grupos serem usado para outra coisa, tal como aprofundar relacionamentos e cultivar interesses comuns? Concentrar o grupo unicamente na formação de amizades e na construção de uma comunidade, ao invés de promover esses objetivos a partir de um enfoque na Palavra viva e ativa de Deus.

3. Excluir Pessoas.

Não abrir o grupo para pessoas novas ou complicadas. Se quiserem, novas pessoas podem começar um outro grupo, mas seu grupo conseguiu estabelecer confiança entre os membros e se sente confortável do jeito que está. Não reconhecer os benefícios da multiplicação, apenas os negativos da “divisão” se o grupo ficar demasiado grande. Além disso, excluir pessoas complicadas com reconhecidas necessidades que possam parecer pesadas demais.

4. Priorizá-lo com relação à Igreja.

Não frequentar regularmente a igreja aos domingos; Basta participar do pequeno grupo. Afinal, não é verdade que quando os cristãos se reúnem, isto é a Igreja? Ao invés de ouvir assiduamente a pregação de pastores dados por Deus, de louvar junto com a congregação, de participar de batismos e da comunhão e de servir ao corpo por meio de seus dons, dar prioridade a um pequeno grupo. Fazer do pequeno grupo um fim em si mesmo -— não um meio para se alcançar um objetivo maior e eterno. 

5. Não orar.

Quando o grupo se reúne, fala-se sobre oração, ou sobre querer orar, mas não se ora realmente. Passa-se o tempo conversando e se atualizando, e até mesmo compartilhando pedidos de oração. Mas não se chega à parte de oração. Quando se ora, isto é feito rapidamente, ao final da reunião — mas não se aprende com este problema. Mantêm-se o mesmo padrão a cada semana.

6. Não compartilhar honestamente.

Participantes compartilham sobre suas vidas, mas não se permite que tal compartilhamento fique demasiadamente complicado. Evita-se falar de dúvidas e lutas — especialmente alguma confissão de pecado ou qualquer outra coisa que possa fazer alguém parecer fraco na frente do grupo. Compartilhar… mas não demais. Não compartilhar à custa da reputação ou do conforto das pessoas.

7. Não se encontrar fora das reuniões do grupo.

Pequenos grupos são ótimos como impulsionadores de relacionamentos em meio à semana. Mas se encontrar com os irmãos fora deste horário? Veja bem, as pessoas são muito ocupadas. O trabalho, os esportes, a família, os amigos e outros compromissos sem fim, absorvem o tempo restante. Além disso, não é verdade que falar sobre conviver com os irmãos é mais fácil do que fazê-lo realmente? É melhor evitar; é mais fácil seguir nossos cronogramas.

8. Abandonar quando ficar difícil.

Quando confrontados com o peso do pecado das pessoas, com a desilusão de expectativas não cumpridas e com os desafios do crescimento espiritual, não se ajudam uns aos outros com amor paciente. Abandonam o grupo. Buscam um novo grupo que melhor atenda às suas necessidades.

Conviver Com os Irmãos

Confesso que as declarações acima são um pouco irônicas. Podemos relutar para admitir que temos pensamentos como estes. Mas cada uma destas declarações reflete comentários que ouvi de crentes sobre o propósito e a prática de pequenos grupos. Se qualquer uma dessas declarações refletir sua mentalidade ou experiência, não desanime; eu também perdi o rumo, bem como muitos outros irmãos e irmãs.

Louvado seja Deus, que pequenos grupos são mais do que aparentam. Como extensões e microcosmos da igreja, nossas reuniões pequenas, além dos cultos de adoração, nos permitem vivenciar o Evangelho juntos. Como congregação, nós nos enraizamos na Palavra de Deus durante o culto; depois, observamos a obra da Palavra nos corações e circunstâncias das pessoas através da convivência em pequenos grupos (Cl 3.16). O Pai deseja que nossos pequenos grupos dependam cada vez mais de seu Espírito e nos levem à seu Filho, através da imersão em sua Palavra. Ele deseja moldar-nos e conformar-nos de acordo com esta Palavra, à medida em que completa a obra que iniciou em Cristo Jesus.

Louvado seja Deus que, mesmo quando às vezes perdemos o rumo, não perdemos Sua Graça. Ele nos busca ativamente, oferecendo-nos mais em nossos relacionamentos uns com os outros. Nossa salvação nos motiva a permanecer no rumo certo e buscar a Cristo — porque é isso que vamos fazer na eternidade, juntos.

 

 

Traduzido por Felipe Barnabé

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